FRANçA/ATENTADOS: Premiê francês adverte para risco de ataques com armas químicas e bacteriológicas

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França/Atentados –

Artigo publicado em 19 de Novembro de 2015 –
Atualizado em 19 de Novembro de 2015

Premiê francês adverte para risco de ataques com armas químicas e bacteriológicas

Premiê francês adverte para risco de ataques com armas químicas e bacteriológicasPremiê francês adverte para risco de ataques com armas químicas e bacteriológicas REUTERS/Charles Platiau

RFI

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, advertiu nesta quinta-feira (19) para o risco de ataques com "armas químicas ou bacteriológicas", ao solicitar à Assembleia Nacional a prorrogação do estado de emergência, seis dias depois dos atentados de Paris. "Estamos em guerra, mas não o tipo de guerra ao qual a história tragicamente nos acostumou", afirmou diante dos parlamentares franceses. "Esta guerra nova tem novos modos de operação, as maneiras de atacar e de matar evoluem sem parar."

E continuou: "A imaginação macabra dos comandantes não tem limite: fuzis, decapitação, homens-bomba, armas brancas… Não podemos excluir nada, nem armas químicas e bateriológicas".

Valls também defendeu a rápida adoção do arquivo europeu de passageiros aéreos. "É uma guerra externa e interna na qual o terror é o primeiro objetivo e a primeira arma", disse.

Riscos durante a COP 21

Antes do anúncio de Valls, o governo francês já se preparava para eventuais ataques químicos durante a COP 21, a conferência internacional sobre o clima, que acontece de 29 de novembro a 11 de dezembro em Paris.

Para tanto, o ministério da Saúde autorizou, com uma publicação no Diário Oficial de domingo (15), o fornecimento de grandes quantidades de sulfato de atropina, o único antídoto contra alguns gases tóxicos, ao Samu (Serviço de Ajuda Médica Urgente) pela farmácia central do Exército.
"Essa medida estava prevista dentro do plano de preparação para a COP 21. Não foi tomada por conta dos atentados de sexta-feira. É uma precaução para um evento de grande dimensão", afirmou a Direção Geral de Saúde ao jornal francês Le Figaro.

A autorização prevê a produção e distribuição do antídoto em grandes quantidades (40mg/20ml). O sulfato de atropina é usado por via intravenal para curar pessoas expostas a gases neurotóxicos organofosforados, como sarin, tabun, soman e VX, que são altamente tóxicos. Em caso de ataque, as vítimas devem receber doses de 2 mg da substância a cada cinco minutos, até que os sintomas desapareçam.

Primeira Guerra Mundial

Descobertos após a Primeira Guerra Mundial, os gases neurotóxicos organofosforados reduzem o ritmo cardíaco. "A atropina é um antídoto eficaz e conhecido de longa data contra esses agentes anticolinesterásicos (de alta toxicidade)", explica o farmacologista Michel Plotkine, da Universidade Paris Descartes.

A substância também é usada na medicina, mas "em quantidade muito menores", de cerca de 1 mililitro, como explica Eric Le Carpentier, diretor adjunto do Samu. "Em situações de ataques químicos, temos necessidade de grandes quantidades. Senão, é necessário quebrar várias pequenas ampolas, não é prático." A rapidez do tratamento também é determinante.

Fonte: Rádio França Internacional

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