ARGENTINA/ELEIçõES: Mauricio Macri já prevê encontro com Dilma Rousseff

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Argentina/Eleições –

Artigo publicado em 22 de Novembro de 2015 –
Atualizado em 22 de Novembro de 2015

Mauricio Macri já prevê encontro com Dilma Rousseff

Maurício Macri, logo depois de votar neste domingo (22) em Buenos Aires.Maurício Macri, logo depois de votar neste domingo (22) em Buenos Aires. REUTERS/Marcos Brindicci

Os votos nem bem terminaram de ser contabilizados e o recém-eleito presidente da Argentina, Mauricio Macri, já anunciou que fará a sua primeira viagem internacional como chefe de Estado ao Brasil. Ele vai propor à presidente Dilma Rousseff um diálogo sincero como forma de revitalizar o Mercosul como plataforma para acelerar as negociações com a União Europeia e para converger com a Aliança do Pacífico.

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Macri promete derrubar as barreiras comerciais e cambiais protecionistas que emperram a economia Argentina e que restringem o funcionamento do Mercosul, bloco que deveria ter a livre circulação de mercadorias. Para o novo presidente argentino, a relação com o Brasil será a mais importante tanto política quanto economicamente. O vínculo do país com o mundo começa pelo Brasil e continua através do Mercosul.

Depois que assumir a presidência em 10 de dezembro, Macri vai fazer a sua primeira viagem ao Brasil para se reunir com a presidente Dilma Rousseff. O assessor de Macri para assuntos internacionais e possível futuro ministro das Relações Exteriores, Diego Guelar, antecipou à RFI Brasil qual será o propósito dessa viagem. Ele vai propor a Dilma um jogo franco na relação entre os dois países para encarar a relação com outros blocos e países.

"Vamos propor uma sinceridade muito forte na relação com o Brasil. É o nosso sócio estratégico fundamental para encarar a relação com a região, com a China, com os Estados Unidos e com a Europa. Acreditamos que teremos de fazer uma grande revitalização dessa sociedade. E acreditamos que vamos ter uma resposta positiva por parte do Brasil", revelou.

Saia justa

As declarações de prioridade de um governo Macri com o Brasil são um bom sinal para o governo brasileiro que ficou em uma saia justa depois de ter apostado em uma vitória do candidato da situação, Daniel Scioli, logo no primeiro turno. Em setembro, Lula fez campanha por Scioli em Buenos Aires e, em outubro, Dilma recebeu o candidato de Cristina Kirchner no Palácio do Planalto.

Para Diego Guelar, braço direito de Macri em assuntos internacionais, esses episódios não terão nenhuma influência na relação com o Brasil. "Isso que parecia ser motivo de preocupação, mas tem zero de influência na relação com o Brasil. Acreditamos que a Argentina e o Brasil têm uma relação absolutamente central", minimizou diplomaticamente Guelar, quem já foi embaixador argentino em Washington.

Em conversa com meios de comunicação estrangeiros, entre os quais a RFI Brasil, o próprio Macri explicou que a prioridade do seu governo será revitalizar o Mercosul. "A prioridade para o nosso governo vai ser restabelecer, dinamizar e tornar ativo o bloco. A minha primeira visita como presidente vai ser ao Brasil que é o sócio estratégico mais importante que a Argentina tem", indicou.

A partir dessa plataforma com o Brasil e com o Mercosul, serão aceleradas as negociações com a União Europeia para um acordo de livre comércio entre os dois blocos e também uma convergência com a chamada Aliança do Pacífico, bloco formado por Peru, Colômbia, Chile e México. "A nossa prioridade é restabelecer dinamicamente o Mercosul. À medida que isso voltar a funcionar, temos de acelerar as negociações com a Europa e também a convergência com a Aliança do Pacífico e com todos os blocos do mundo", adiantou.

Prioridades internas

Fazer a Argentina sair do seu isolamento internacional, unindo os argentinos com o mundo, é uma das prioridades de Macri. As outras três são internas: reduzir a pobreza a zero, derrotar o tráfico de drogas e unir os argentinos. A Argentina é hoje uma sociedade crispada, polarizada entre prós e contra Cristina Kirchner.

Em recentes declarações à imprensa estrangeira, Mauricio Macri garantiu que "para a presidente Dilma Rousseff será muito mais fácil chegar a acordos com ele do que foi com Cristina Kirchner".

Nos últimos dois anos, o fluxo comercial entre Brasil e Argentina encolheu em cerca de US$ 10 bilhões como consequência das restrições comerciais e cambiais de todo tipo que afetaram o comércio bilateral porque também encolheram a economia Argentina.

Eleições Argentinas 22/11

22/11/2015
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Fonte: Rádio França Internacional

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