América Latina, “com um pé atrás”, felicita Trump pela vitória

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América Latina, "com um pé atrás", felicita Trump pela vitória

mediaAmérica Latina cautelosa com a vitória de Donald Trump
Michael Vadon/ pixabay

Os presidentes e líderes da América Latina felicitaram Donald Trump por sua surpreendente vitória na eleição americana. Mas essa formalidade é acompanhada por um sentimento de cautela, diante de uma campanha marcada pela promessa de políticas duras contra os imigrantes e declarações agressivas e ofensivas, principalmente sobre os mexicanos.

O presidente do México, Enrique Peña Nieto, foi um dos primeiros líderes da América Latina a enviar suas felicitações a Trump, que foi muito criticado no país por seu discurso contra os imigrantes em situação ilegal e por chamar os mexicanos de "estupradores". "Felicito os Estados Unidos por seu processo eleitoral e reitero a Donald Trump a disposição de trabalharmos juntos a favor da relação bilateral", tuitou. "México e Estados Unidos são amigos, sócios e aliados que devem continuar colaborando pela competitividade e pelo desenvolvimento da América do Norte", acrescentou.

O presidente do Brasil, Michel Temer, foi o primeiro na região a reagir, mas com certa cautela diplomática. "Não muda nada na relação do Brasil com os Estados Unidos", disse Temer, em entrevista a uma rádio nacional. Além disso, mostrou-se confiante em que Trump "terá de levar em conta as aspirações de todo o povo americano".

A Venezuela, tradicionalmente crítica ao "imperialismo americano", felicitou Trump pela vitória e pediu que se respeite os princípios" de "igualdade soberana" e "autodeterminação" promovidos pela ONU. Pediu ainda que se estabeleça "novos paradigmas" entre Estados Unidos e América Latina, baseados na "não intervenção nos assuntos internos".

Em contrapartida, o líder opositor e duas vezes candidato à presidência, Henrique Capriles, expressou seu respeito à "decisão do povo norte-americano" e defendeu seus compatriotas emigrados: "Não queremos que expulsem nossos irmãos venezuelanos que estão lá trabalhando". Já Lilian Tintori, mulher do político preso Leopoldo López, disse esperar que, depois dessas eleições, o governo americano continue apoiando "todo o povo venezuelano" na defesa dos direitos humanos.

O chefe de Estado da Argentina, Mauricio Macri, tuitou "Felicito @realDonaldTrump em sua vitória e espero que possamos trabalhar juntos pelo bem dos nossos povos".

No Uruguai, o presidente Tabaré Vázquez comentou a vitória de Trump durante uma entrevista à televisão. "Qualquer que tenha sido o resultado, há um impacto para todo o mundo", afirmou, completando que "o povo norte-americano resolveu e, como cabe, é preciso respeitar a decisão soberana do povo", acrescentou.

Já seu antecessor José "Pepe" Mujica, foi bem mais expressivo: "Vou lhe dizer apenas uma palavra que diz tudo, de modo que, grave-a bem: socorro!". "É suficiente. É explícita (…) Tchau", disse ele a uma rádio local.

Na Colômbia, apesar de ter apoiado a candidatura de Hillary Clinton "porque oferece mais garantias" para a paz de seu país , o presidente Juan Manuel Santos manifestou seu desejo de continuar com as relações privilegiadas dos dois países. "Celebramos o espírito democrático dos EUA na #ElectionNight. Com @realDonaldTrump continuaremos aprofundando a relação bilateral", escreveu em sua conta no Twitter.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, um áspero crítico do "imperialismo americano", pouco ou nada disse sobre Trump nessas eleições, mas decidiu tuitar: "saudar a vitória de @realDonaldTrump. Esperamos trabalhar contra o racismo, machismo, a anti-imigração, pela soberania dos nossos povos".

Depois de conseguir uma histórica reconciliação diplomática com os Estados Unidos, em 2015, no governo de Barack Obama, o presidente de Cuba, Raul Castro, enviou uma curta "mensagem de felicitação" a Donald Trump por sua eleição. Ao mesmo tempo, o governo em Havana também anunciou que fará manobras militares entre 16 e 18 de novembro, o "Exercício Estratégico Bastião 2016", que mobiliza as tropas cubanas frente a uma hipotética invasão por parte dos Estados Unidos.

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, saudou a vitória de Donald Trump e manifestou sua disposição de trabalhar em uma agenda que privilegie o diálogo e a paz no mundo. "Saudamos sua vitória de ontem" e "nos juntamos aos que acreditam que seja possível trabalhar com os Estados Unidos para contribuir para um mundo que privilegie diálogo e entendimento", declarou.

Fonte: Rádio França Internacional

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