Advogada de sigla populista tenta conquistar prefeitura de Roma

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Advogada de sigla populista tenta conquistar prefeitura de Roma

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RFI

mediaA candidata antissistema à prefeitura de Roma, Virginie Raggi, fotografada em uma pizzaria no dia 19 de maio de 2016.
REUTERS/Tony Gentile

Nove milhões de italianos votam neste domingo (19) no segundo turno das eleições municipais. Em Roma, a advogada Virginia Raggi, de 37 anos, da sigla de oposição Movimento 5 Estrelas (M5S), tem dez pontos de vantagem sobre o segundo colocado, o democrata Roberto Giachetti, apoiado pelo primeiro-ministro Matteo Renzi.

Uma eventual vitória do movimento populista M5S em Roma abrirá uma nova página na política italiana. Em Turim, o prefeito do Partido Democrático, Piero Fassino, que tenta a reeleição, também é ameaçado por uma candidata do M5S, Chiara Appendino. Em Milão, capital econômica da Itália, o democrata Giuseppe Sala chegou ao segundo turno empatado nas sondagens com o adversário de centro-direita Stefano Parisi.

Bem colocada para se tornar a primeira mulher a chegar à prefeitura de Roma, Virginia Raggi, é uma figura ascendente do M5S. Há poucos meses, a candidata populista era desconhecida dos romanos. Nascida na capital, ela entrou para a política somente há cinco anos, seduzida pelo discurso progressista do M5S, que jurou, como outros partidos na Europa, superar a política tradicional. Eleita vereadora em 2013, a candidata, jurista formada na Universidade de Roma e especializada em propriedade intelectual, foi rapidamente reconhecida por sua eloquência e obstinação.

Para analistas, o sucesso eleitoral do M5S, cuja figura mais popular é seu fundador, o humorista Beppe Grillo, poderá ser utilizado pela oposição como uma advertência ao governo Renzi, mas terá impacto limitado no plano nacional. A legenda está ausente da disputa em outras grandes cidades italianas, como Milão, Nápoles e Bolonha.

A votação é considerada um teste para Renzi, que convocou para outubro um referendo sobre uma ampla reforma constitucional. O primeiro-ministro colocou seu cargo em jogo, caso não consiga aprovar as propostas.

Nascimento do filho estimulou candidatura

Raggi explica que o nascimento de seu filho, Matteo, a convenceu a atuar diante da degradação da capital, uma situação que incomoda grande parte de seus mais de dois milhões de habitantes. Roma se viu particularmente afetada pela saída do ex-prefeito de centro-esquerda, ligado a um caso de contas falsas, em 2015.

Para pensar na prefeitura, a candidata teve inicialmente que ganhar as primárias do M5S, organizadas na internet, seguindo a filosofia participativa do partido. Como todos os candidatos do M5S, ela teve que assinar um código de boa conduta que a obriga pedir autorização a ao grupo cada vez que nomear um novo colaborador e também de consultá-los para tomar decisões importantes.

Depois de obedecer os pré-requisitos, a candidata investiu em uma campanha que exibiu seu rosto em grandes cartazes no metrô e nos ônibus da capital. Ela obteve sucesso graças ao incômodo da população, cansada de anos de imobilismo e ineficácia da administração local sobre questões como o transporte público.

Propostas de campanha foram consideradas bizarras pela imprensa italiana

Se conseguir se tornar prefeita, a previsão é que obtenha também a liderança no partido, sobretudo depois que o humorista Beppe Grillo anunciou sua aposentadoria. O movimento é acusado de falta de transparência, dominado por Grillo e um pequeno grupo de amigos. Raggi procurou transmitir uma imagem de autonomia em relação a esse núcleo.

Durante a campanha, Raggi fez algumas promessas consideradas bizarras pela imprensa italiana: a permuta nos mercados romanos, instalação de teleféricos na cidade, cobrança de impostos de ciganos e o fim das fraldas descartáveis para bebês. Esta última proposta provocou debate entre ecologistas, favoráveis à medida, e feministas, contrárias. Caso seja eleita, Roma provavelmente teria que dizer adeus à candidatura das Olimpíadas de 2024, provocando a fúria das instituições desportivas e de empresas de construção.

As seções eleitorais ficarão abertas até 18h pelo horário de Brasília.

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Fonte: Rádio França Internacional

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