Pnud teme que milhões de latino-americanos voltem para a pobreza

0
38

Ouvir /

Preocupação de recaída é com 30 milhões de pessoas que tinham saído da condição em 2003 e estão sob risco; Programa da ONU para o Desenvolvimento defende que bem-estar reflita mais do que a renda.

Latino-americanos fazem parte de grupo de pessoas da região que estão sob risco: oficialmente, não são pobres, mas também não conseguiram alcançar a classe média. Foto: Pnud Brasil/Tiago Zenero

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud, está preocupado com a possibilidade de milhões de latino-americanos voltarem para a pobreza. A agência lançou esta terça-feira um relatório sobre desenvolvimento humano na região.

O Pnud está especialmente preocupado com 25 a 30 milhões de pessoas da América Latina e do Caribe que haviam saído da pobreza em 2003, mas que agora estão em risco de recaída. Muitos são jovens ou mulheres.

Classe Média

Esses latino-americanos fazem parte de um grupo maior, de 220 milhões de pessoas da região que estão sob risco: oficialmente, não são pobres (aqueles que vivem com menos de US$ 4 por dia), mas também não conseguiram alcançar a classe média (os que vivem com mais de US$ 10 por dia).

Milhões de brasileiros estão nessa situação, como explicou à Rádio ONU a coordenadora nacional do Relatório de Desenvolvimento Humano do Pnud. De Brasília, Andrea Bolzon destacou os riscos de recaída.

Recaída no Brasil

"É preciso olhar com cuidado para que, face ao momento em que nós estamos vivendo agora de retração na economia, essas pessoas não voltem a uma situação de pobreza como estavam antes. Inclusive o relatório faz uma estimativa de que nos próximos anos, até 9 milhões de brasileiros e brasileiras podem voltar à situação de pobreza, porque eles ascenderam, mas não têm qualificação profissional, não tiveram oportunidade de terminar o Ensino Fundamental ou Ensino Médio e estão numa situação de fragilidade muito grande."

Segundo Andrea Bolzon, o Pnud está chamando a atenção para um fator que vai além da renda: o bem-estar da população. Na década passada, o mercado de trabalho e a educação foram dois grandes motores para os latino-americanos saírem da pobreza.

Mulheres

Mas agora, as políticas públicas precisam fortalecer quatro fatores que impedem retrocessos: proteção social, sistemas de cuidado, ativos (carro, casa própria, conta de poupança) e qualificação profissional.

O Pnud defende também mais investimentos nas mulheres latino-americanas, que ganham por hora 16,4% a menos do que os homens. Mas em casa, elas trabalham três vezes a mais do que os homens fazendo tarefas domésticas.

Leia e Ouça:

Entre os países menos desenvolvidos, Samoa foi o único que graduou da lista

Agência da ONU anuncia expansão de programas no nordeste do Brasil

Entrevista: Conferência Humanitária Mundial e o setor privado

Fonte: Rádio ONU

Deixe uma resposta

Por favor digite seu comentário!
Por favor digite seu nome