David Gilmour em Curitiba

“Você gasta à toa e joga no lixo as horas, descontroladamente / Perambulando de um lugar para outro em sua cidade natal / Esperando por alguém ou algo que te mostre o caminho / Cansado de tomar banho de sol / De ficar em casa vendo a chuva / Você é jovem, a vida é longa / E há tempo para desperdiçar / Até que um dia você descobre / Que dez anos ficaram para trás.”  (Time, 1973)

 

Fica muito fácil para o jornalista escrever a resenha de um show como o de David Gilmour, que passou por Curitiba em plena segunda-feira (14/12). Sim, porque qualquer uma daquelas definições hiperbólicas cabem perfeitamente sem se transformarem em clichês. Um show marcante, único e que une gerações com canções de um gênio da música que atravessam o tempo.

Com os ingressos completamente esgotados, a Pedreira Paulo Leminski vê um senhor de 69 anos subir ao palco pontualmente às 20h, enquanto o sol ainda brilhava.

O show começa com as três primeiras faixas do último álbum Rattle That LockMas como Gilmour não é daqueles que ficam economizando as músicas mais famosas para o final, emendou I Wish You Where Here logo em seguida e arrancou as primeiras lágrimas do público. No primeiro ato do show que durou cerca de 1h20, as clássicas Money, Us And Them e High Hopes intercalaram-se com canções de seus últimos dois álbuns solo.

Depois de 20 minutos de pausa, devidamente anunciadas pelo próprio Gilmour – nada do suspense para o bis – a banda volta para mais 1h20 com Astronomy Domine, Shine On You Crazy Diamond, Fat Old Sun, Coming Back To Life, The Girl In The Yellow Dress, Today, Sorrow, Run Like Hell, Time, Breathe e Comfortably Numb para fechar exatas três horas de apresentação. Ou seja, não há quem ouse em falar mal da apresentação.

Alguns fatos tornaram o show ainda mais especial, para não dizer “único”. Phil Taylor, o roadie que trabalha com Gilmour há 40 anos, fazia 64 anos, o que deixou Gilmour na dúvida, se deveria cantar happy birthday ou When I’m 64, dos Beatles.

O saxofonista da banda de apoio de Gilmour é o curitibano João Mello, que pode enfim tocar com o seu patrão em sua terra natal. Já a plateia preparou duas surpresas. Na música The Girl in the Yellow Dress soltaram vários balões coloridos e em Run, acompanhavam o refrão com cartazes. Quem estava ali, tinha completa noção do momento que estava vivenciando.

GIlmour também fez uma surpresa ao cantar Coming Back To Life, que não havia tocado nas duas apresentações em São Paulo. Uma curiosidade é ver quem não conhece muito da história do Pink Floyd e do próprio Gilmour e acaba indo a um show desses meio “no embalo” dos amigos, da família ou do namorado e sai decepcionado por ele não ter tocado “aquela dos alunos que viram salsicha”.

 

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