Sarau celebra a beleza da cultura negra

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Sarau celebra a beleza da cultura negraPublicado 24 de novembro de 2015 | Por gciquelero O evento fez menção ao 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.

O evento fez menção ao 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.

Uma noite para celebrar a resistência, a alegria e a beleza negra. Assim foi o II Sarau Cultural Afro-Brasileiro, realizado no campus Irati na última quinta-feira, (19). O evento fez menção ao 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, e integrou a X Semana de História, organizada pelo Departamento de História, Programa de Pós-Graduação em História da Unicentro e Núcleo de Estudos Étnico-Raciais (NEER) do campus Irati.

A coordenadora do NEER, Alexandra Lourenço foi a organizadora do Sarau e destaca que o objetivo do evento foi trazer a tona a beleza da cultura negra num aspecto estético. “A medida em que eu vejo a beleza da cultura de um povo, estou resgatando a dignidade dele e a identidade dela, estou construindo ela. Então quando falamos em consciência negra para além das questões sociais, é fundamental também pensar na beleza dessa cultura, e uma cultura que não está longínqua, ela está no Brasil, a medida que o país tem uma grande parcela da sua população descendente dos africanos”, complementa.

20 de novembro é a data de morte de um ícone da cultura negra: Zumbi dos Palmares. Mas outras figuras negras marcantes também estiveram no Sarau, através da exposição “Presença de heróis negros em histórias de quadrinhos”, trabalho que resulta de pesquisa e criação artística do professor de Artes, Laércio Soares da Silva. Já a performance teatral de Paulo Alexandre Laskoski, trouxe momentos de reflexão para o público. A poesia também esteve presente no Sarau com o diretor de Cultura da Unicentro, Edson Santos Silva que declamou “Basta”, de autoria do poetisa moçambicana Noemia de Souza.

“Ser negro neste país é matar um leão a cada dia, porque nós somos a nossa pele, o nosso cabelo, os nossos dentes, os nossos lábios, enfim, o corpo do negro fala por si só. Acredito que as universidades e as escolas de todos os âmbitos têm um papel muito importante que é resgatar a autoestima do negro. Sendo assim, esse 20 de novembro é o momento de olharmos para o passado e vermos que nós conquistamos a duras penas alguns espaços dentro desse país que deve muito ao negro, mas que ainda não reconhece como deveria o papel do negro dentro da nossa sociedade”, ressalta Santos Silva.

O ponto alto do Sarau foi o Desfile “África em Nós”, com trajes criados pela designer Patrícia Lourenço. O conjunto de peças apresentado incluía vestimentas para o dia-a-dia até eventos festivos. “O desfile realmente foi a parte do trabalho que foi a pérola. Nós tivemos o cuidado de elaborar cada peça para as pessoas que iriam desfilar. Elas foram desenhadas realmente tentando resgatar traços da cultura dos povos africanos, não fazendo algo apenas colorido, mas tendo o cuidado aos mínimos detalhes, desde a escolha dos tecidos, inclusive alguns que vieram da África, como um de Marrocos e um do Quênia, mas também buscando adaptar esses modelos as pessoas da família Unicentro que são afrodescentes e que se disponibilizaram a participar”, explica Alexandra.

Para a chefe da Divisão de Promoção Cultural do campus Irati, professora Ana Maria Rufino Gillies, o Sarau celebrou a resistência histórica do povo negro. “Não é um momento de nós aqui adotarmos um discurso político e militante, isso é feito em sala de aula e com todas as nossas ações ao longo do ano. O Sarau é o momento de celebrar essa resistência negra que não se trata apenas da época da escravidão ou do imediato pós-abolição, mas de hoje, no dia a dia”, acrescenta.

Encerrando o evento, o grupo de capoeira Muzenza apresentou a mistura de dança com luta que foi proibida no Brasil até 1930, mas que desde o ano passado é considerada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. “O Sarau deixou um sentimento de felicidade imenso. Houve realmente a mobilização das pessoas aderindo a ideia. Não foi um evento que apenas deu trabalho, mas que acima de tudo deu prazer. Penso que o saldo positivo existiu de fato, na medida em que eu estando nos bastidores podia escutar o público aplaudindo e se integrando ao que estava acontecendo”, finaliza Alexandra.

Fonte: Unicentro – Coorc

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