Uma boa rede de contatos vale ouro na Suíça

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01 de março de 2017
Uma boa rede de contatos vale ouro na Suíça

A perda da rede de contatos é uma das principais desvantagens da imigração. Por um motivo óbvio, quem deixa seu círculo de conhecidos vai precisar começar tudo de novo, assim como acontece quando se muda de escola na infância.

Construir uma rede de contatos é importante, considera Angela Weinberger. 

Construir uma rede de contatos é importante, considera Angela Weinberger.

(cortesia)

Trazendo a situação para a Suíça, dois fatores dificultam ainda mais o processo: a língua alemã e a reserva do povo, considerado difícil de se enturmar até para os vizinhos alemães que dominam o idioma. O problema é que, na condição de humanos, todos nós precisamos estabelecer contato para arrumar emprego, tocar um projeto ou até mesmo conseguir o telefone de um médico no novo país.

Pesquisa realizada recentemente pela empresa de contratação Catho Online – portal de soluções em Recursos Humanos da América Latina mostra que 44% dos profissionais conseguem emprego graças à indicação de conhecidos.

Investir na rede de contatos consiste na prática de desenvolver e explorar a sua rede de relacionamentos, conhecida pela palavra inglesa network. São aquelas pessoas conhecidas: amigos, colegas de escola e faculdade, colegas de trabalho, ex-empregadores, clientes, fornecedores e até mesmo parentes. Além da rede já existente, é imprescindível fazer novos contatos, que podem informar sobre vagas de trabalho interessantes ainda desconhecidas pelo público.

* Artigo do blog "Suíça de portas abertas"external link da jornalista Liliana Tinoco Baeckert.

O uso do networking como ferramenta de recrutamento tem se intensificado. Hoje é bastante comum encontrar empresas que premiam funcionários que ajudam a preencher vagas abertas indicando amigos e conhecidos. Se antes o fator “QI” (quem indica) tinha um caráter negativo, pois geralmente se aplicava àquela contratação de um amigo ou parente do chefe, hoje ele é bem visto e considerado em todas as esferas do mundo corporativo.

Dá para aprender

O comportamento do suíço, no entanto, complica a prática. Eles são conhecidos por serem mais fechados e menos reativos à tentativa de contatos com estranhos. Diante da importância das conexões, o desafio então é saber como transpor essa barreira e conseguir ganhar a confiança deles. De acordo com a treinadora e coach Intercultural em Carreiras Angela Weinberger, ao contrário do que se pensa, é difícil fazer amizade com suíços. Mesmo os expatriados, que se mudam com emprego garantido, sentem falta de uma boa conexão. “Externamente, a Suíça parece muito aberta. Afinal de contas, é um país onde se fala quatro idiomas, com uma grande comunidade internacional e sede de várias organizações mundiais, mas a realidade não se mostra dessa maneira”, explica Angela.

Os suíços são fechados

Alemã, ela fala com experiência de viver em Zurique e em outros países. Angela promove cursos de como formar uma rede de contatos profissionais na Suíça. De acordo com a consultora, o histórico do país explica em parte a cultura e o jeito como a população local lida com estranhos. A forma como a Suíça foi criada, por exemplo, com a combinação de três cantões para se protegerem dos inimigos explica o porquê de considerarem estranhos como quase inimigos.

“Mesmo assim, vale a pena tentar. É preciso construir confiança para criar um círculo nesse país. A questão é como, já que a conquista da credibilidade se dá de diferentes formas dependendo da cultura”, explicou Angela, durante palestra no Clube Americano de Mulheres (American Women’s Club of Zürich), para cerca de 30 mulheres estrangeiras interessadas em aprender como se faz contatos no novo país.

A americana e responsável por eventos Hollyn Keller diz que decidiu trazer o tema por demanda própria e das integrantes do grupo. Mesmo casada com um suíço e no país há quatro anos, relata que sente dificuldade em conhecer pessoas em Zurique. Na platéia, mulheres de várias partes do mundo atentas aos ensinamentos da especialista. Em comum, o interesse em aprender a ganhar a confiança dos locais. Sumathi V Selvaretnam vem de Singapura e está de mudança para a Suíça com seu marido alemão. Jornalista, deixou seu emprego de editora de uma revista de negócios, e agora quer iniciar uma nova rede de contatos e conseguir um emprego.

Hollyn Keller, responsável pelos eventos profissonais no Clube Americano de Mulheres (American Women’s Club of Zürich).

Hollyn Keller, responsável pelos eventos profissonais no Clube Americano de Mulheres (American Women’s Club of Zürich).

(cortesia)

Entre cocos e pêssegos (matéria coordenada)

A primeira lição ensinada por Angela Weinberger para entrar no coração de um suíço é aceitar que ele é coco, e não pêssego. A categoria cultural de analogia às frutas foi criada para explicar a forma com que culturas lidam com comunicação e distância interpessoal. A brasileira, de fácil acesso, é pêssego. Isso inclui comportamento como sorrir para estranhos e engajamento em conversas informais. Mas o interior se mostra mais duro como uma semente de pêssego, tornando dificuldade para se fazer amizade mais sólida.

Já o suíço, assim como o povo alemão, é coco. De casca muito dura, a fruta tem difícil acesso e corte, o que significa a dificuldade de quebrar a primeira barreira, mas assim que se consegue, conte com amizade para a vida toda. Estereótipos à parte, a correlação ajuda a entender um comportamento generalizado.

Altruísmo é chave

Outra lição muito importante é praticar o altruísmo. Além de ser realmente positivo para a sociedade, ajuda a criar uma relação de confiança. De acordo com a especialista, a receita é simples: conheceu alguém em um evento, acha que esse contato vale a pena, ajude essa pessoa se for o caso. “Auxiliar, nesse caso, significa descobrir os interesses do outro e, quem sabe, conectá-lo com alguem que o interesse. Pode ser também simplesmente com o envio de uma reportagem interessante. Atitudes simples, mas que façam diferença e acabam por criar uma relação de longo prazo e de mais confiança”, explica Angela Weinberger.

A treinadora ensina também os quatro P’s da rede de contatos: Propósito, Preparação, Presença e Promessa. O primeiro P, de propósito, significa pensar na razão de se interessar por aquele contato. A Preparação serve para lembrar da necessidade de ler sobre o outro, de informar e de deixar muito claro o porquê do encontro, mais propício para um encontro que seja propositado. A Presença, entretanto, refere-se à importância de se estar presente no diálogo, de ouvir o que o outro diz. Já a Promessa remete ao cumprimento do que foi dito durante o primeiro encontro.

“A verdadeira presença na conversa vai te dar um motivo para entrar em contato novamente, criando uma relação. Mas a promessa irá manter esse contato. Se você conheceu alguém interessante e prometeu enviar uma informação, faça. Eu encorajo sempre a redefinir o seu conceito de construção de rede contatos”, ensina Angela Weinberger.

Como melhorar sua rede de contatos profissional:

– Suíços são cocos, têm casca dura. Não tome a sisudez como algo pessoal.

– Procure organizações, Vereins, grupos de mulheres, sejam profissionais ou ligados a esportes, música, qualquer coisa que seja do seu interesse. É importante conhecer pessoas.

– Vá a eventos, coquetéis (conhecidos como aperos na Suíça).

– Converse com pessoas das mais variadas origens e mencione que você busca um emprego.

– Troque número de telefones.

– Cartões pessoais não estão fora de moda, use.

– Não dê seu cartão imediatamente, faça somente no final da conversa.

– Exerça o altruísmo: ajude os outros com informaçães interessantes, apresente seus contatos a outros que façam sentido. Essa é uma boa maneira de se construir relações sólidas.

– Aposte na regra dos quatro Ps da rede de contatos: Propósito, Preparação, Presença e Promessa.

Contato Angela Weinberger: http://globalpeopletransitions.com/external link

American Women’s Club Zurich – http://www.awczurich.org/external link

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Uma boa rede de contatos vale ouro na Suíça

A perda da rede de contatos é uma das principais desvantagens da imigração. Por um motivo óbvio, quem deixa seu círculo de conhecidos vai precisar começar tudo de novo, assim como acontece quando se muda de escola na infância.

Trazendo a situação para a Suíça, dois fatores dificultam ainda mais o processo: a língua alemã e a reserva do povo, considerado difícil de se enturmar até para os vizinhos alemães que dominam o idioma. O problema é que, na condição de humanos, todos nós precisamos estabelecer contato para arrumar emprego, tocar um projeto ou até mesmo conseguir o telefone de um médico no novo país.

Pesquisa realizada recentemente pela empresa de contratação Catho Online – portal de soluções em Recursos Humanos da América Latina – mostra que 44% dos profissionais conseguem emprego graças à indicação de conhecidos.

Investir na rede de contatos consiste na prática de desenvolver e explorar a sua rede de relacionamentos, conhecida pela palavra inglesa network. São aquelas pessoas conhecidas: amigos, colegas de escola e faculdade, colegas de trabalho, ex-empregadores, clientes, fornecedores e até mesmo parentes. Além da rede já existente, é imprescindível fazer novos contatos, que podem informar sobre vagas de trabalho interessantes ainda desconhecidas pelo público.

* Artigo do blog "Suíça de portas abertas" da jornalista Liliana Tinoco Baeckert.

O uso do networking como ferramenta de recrutamento tem se intensificado. Hoje é bastante comum encontrar empresas que premiam funcionários que ajudam a preencher vagas abertas indicando amigos e conhecidos. Se antes o fator “QI” (quem indica) tinha um caráter negativo, pois geralmente se aplicava àquela contratação de um amigo ou parente do chefe, hoje ele é bem visto e considerado em todas as esferas do mundo corporativo.

Dá para aprender

O comportamento do suíço, no entanto, complica a prática. Eles são conhecidos por serem mais fechados e menos reativos à tentativa de contatos com estranhos. Diante da importância das conexões, o desafio então é saber como transpor essa barreira e conseguir ganhar a confiança deles. De acordo com a treinadora e coach Intercultural em Carreiras Angela Weinberger, ao contrário do que se pensa, é difícil fazer amizade com suíços. Mesmo os expatriados, que se mudam com emprego garantido, sentem falta de uma boa conexão. “Externamente, a Suíça parece muito aberta. Afinal de contas, é um país onde se fala quatro idiomas, com uma grande comunidade internacional e sede de várias organizações mundiais, mas a realidade não se mostra dessa maneira”, explica Angela.

Os suíços são fechados

Alemã, ela fala com experiência de viver em Zurique e em outros países. Angela promove cursos de como formar uma rede de contatos profissionais na Suíça. De acordo com a consultora, o histórico do país explica em parte a cultura e o jeito como a população local lida com estranhos. A forma como a Suíça foi criada, por exemplo, com a combinação de três cantões para se protegerem dos inimigos explica o porquê de considerarem estranhos como quase inimigos.

“Mesmo assim, vale a pena tentar. É preciso construir confiança para criar um círculo nesse país. A questão é como, já que a conquista da credibilidade se dá de diferentes formas dependendo da cultura”, explicou Angela, durante palestra no Clube Americano de Mulheres (American Women’s Club of Zürich), para cerca de 30 mulheres estrangeiras interessadas em aprender como se faz contatos no novo país.

A americana e responsável por eventos Hollyn Keller diz que decidiu trazer o tema por demanda própria e das integrantes do grupo. Mesmo casada com um suíço e no país há quatro anos, relata que sente dificuldade em conhecer pessoas em Zurique. Na platéia, mulheres de várias partes do mundo atentas aos ensinamentos da especialista. Em comum, o interesse em aprender a ganhar a confiança dos locais. Sumathi V Selvaretnam vem de Singapura e está de mudança para a Suíça com seu marido alemão. Jornalista, deixou seu emprego de editora de uma revista de negócios, e agora quer iniciar uma nova rede de contatos e conseguir um emprego.

Entre cocos e pêssegos (matéria coordenada)

A primeira lição ensinada por Angela Weinberger para entrar no coração de um suíço é aceitar que ele é coco, e não pêssego. A categoria cultural de analogia às frutas foi criada para explicar a forma com que culturas lidam com comunicação e distância interpessoal. A brasileira, de fácil acesso, é pêssego. Isso inclui comportamento como sorrir para estranhos e engajamento em conversas informais. Mas o interior se mostra mais duro como uma semente de pêssego, tornando dificuldade para se fazer amizade mais sólida.

Já o suíço, assim como o povo alemão, é coco. De casca muito dura, a fruta tem difícil acesso e corte, o que significa a dificuldade de quebrar a primeira barreira, mas assim que se consegue, conte com amizade para a vida toda. Estereótipos à parte, a correlação ajuda a entender um comportamento generalizado.

Altruísmo é chave

Outra lição muito importante é praticar o altruísmo. Além de ser realmente positivo para a sociedade, ajuda a criar uma relação de confiança. De acordo com a especialista, a receita é simples: conheceu alguém em um evento, acha que esse contato vale a pena, ajude essa pessoa se for o caso. “Auxiliar, nesse caso, significa descobrir os interesses do outro e, quem sabe, conectá-lo com alguem que o interesse. Pode ser também simplesmente com o envio de uma reportagem interessante. Atitudes simples, mas que façam diferença e acabam por criar uma relação de longo prazo e de mais confiança”, explica Angela Weinberger.

A treinadora ensina também os quatro P’s da rede de contatos: Propósito, Preparação, Presença e Promessa. O primeiro P, de propósito, significa pensar na razão de se interessar por aquele contato. A Preparação serve para lembrar da necessidade de ler sobre o outro, de informar e de deixar muito claro o porquê do encontro, mais propício para um encontro que seja propositado. A Presença, entretanto, refere-se à importância de se estar presente no diálogo, de ouvir o que o outro diz. Já a Promessa remete ao cumprimento do que foi dito durante o primeiro encontro.

“A verdadeira presença na conversa vai te dar um motivo para entrar em contato novamente, criando uma relação. Mas a promessa irá manter esse contato. Se você conheceu alguém interessante e prometeu enviar uma informação, faça. Eu encorajo sempre a redefinir o seu conceito de construção de rede contatos”, ensina Angela Weinberger.

Como melhorar sua rede de contatos profissional:

– Suíços são cocos, têm casca dura. Não tome a sisudez como algo pessoal.

– Procure organizações, Vereins, grupos de mulheres, sejam profissionais ou ligados a esportes, música, qualquer coisa que seja do seu interesse. É importante conhecer pessoas.

– Vá a eventos, coquetéis (conhecidos como aperos na Suíça).

– Converse com pessoas das mais variadas origens e mencione que você busca um emprego.

– Troque número de telefones.

– Cartões pessoais não estão fora de moda, use.

– Não dê seu cartão imediatamente, faça somente no final da conversa.

– Exerça o altruísmo: ajude os outros com informaçães interessantes, apresente seus contatos a outros que façam sentido. Essa é uma boa maneira de se construir relações sólidas.

– Aposte na regra dos quatro Ps da rede de contatos: Propósito, Preparação, Presença e Promessa.

Contato Angela Weinberger: http://globalpeopletransitions.com/

American Women’s Club Zurich – http://www.awczurich.org/
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