Venezuelanos participam em massa da validação de referendo contra Maduro

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Venezuelanos participam em massa da validação de referendo contra Maduro

mediaEleitores venezuelanos aguardam diante de escritório do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) nesta sexta-feira (24).
REUTERS/Mariana Bazo

A oposição venezuelana pretende completar nesta sexta-feira (24) o processo de recolhimento de assinaturas para validar um referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro. Durante os últimos cinco dias, milhares de pessoas validaram, com suas digitais, as assinaturas que deram no fim de abril para dar continuidade à consulta.

Os opositores ao governo da Venezuela – que controlam o Parlamento – necessitam que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) confirme cerca de 200 mil assinaturas do 1,3 milhão que coletou em abril e que foram aceitas pelo organismo. Os cálculos da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) são otimistas: até quinta-feira (23), 23 dos 24 Estados informaram ter conseguido o mínimo requerido, o equivalente a 1% do colégio eleitoral de cada região.

Somente em Nueva Esparta – da qual a turística ilha Margarita é a capital – cerca de 200 assinaturas precisavam ser validadas. Por isso, o líder opositor Henrique Capriles, principal promotor do referendo, viajou ao local para acompanhar o processo. "Vamos dar uma lição", declarou Capriles, assinalando que o governo "acreditou que por Nueva Esparta ser um estado insular, poderia manipulá-lo".

Segundo a deputada opositora Delsa Solórzano, o total de assinaturas validadas é de mais de 326 mil. Cumprido o prazo de validação, o processo entra em uma etapa de incerteza, já que o CNE – acusado pela oposição de servir ao governo – anunciará no dia 26 de julho se a meta foi alcançada.

Crise econômica motiva referendo

Durante a semana, a MUD denunciou uma sabotagem do governo contra o reconhecimento de assinaturas. Atrasos no processo, bloqueio logístico e ameaças da suspensão do trâmite foram assinalados pela oposição.

Os adversários de Maduro martelam a ideia da necessidade de realização do referendo, apoiados pela severa crise econômica. Além disso, a tensão social aumentou nas últimas semanas, com roubos em várias cidades que deixaram ao menos cinco mortos.

Uma escassez de 80% dos alimentos e a inflação mais alta do mundo (180,9% em 2015), além dos altos índices de criminalidade, motivam a rejeição ao presidente venezuelano. Segundo uma recente pesquisa da agência Datanálisis, ele tem apenas 25% de popularidade.

Maduro acredita que pode vencer referendo

O presidente venezuelano considera impossível que o referendo revogatório possa ocorrer esse ano, alegando que os prazos previstos na constituição do país não permitiriam que a consulta fosse realizada. Mas, para a oposição é fundamental que a votação aconteça antes do dia 10 de janeiro de 2017.

Caso a população vote por tirar o presidente antes deste prazo, haverá eleições antecipadas. Mas, se ocorrer depois dessa data, o socialista poderá eleger seu sucessor em caso de derrota. "Se houver [referendo], participaremos e ganharemos. Se não houver, a vida política do país continuará", declarou nesta quinta-feira.

Em meio à tensão interna e às pressões internacionais, Maduro multiplicou nos últimos dias o seu chamado à oposição para iniciar um diálogo. Os opositores, entretanto, se recusam a voltar atrás na realização do referendo.

Para depor o chefe de Estado venezuelano, o "sim" deve conquistar mais do que os 7,5 milhões de votos com os quais foi eleito.

(Com informações da AFP)

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Fonte: Rádio França Internacional

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