Terrorista de Nice estudou local do ataque durante dois dias

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Atentado em Nice

Mohamed Lahouaiej-Bouhlel

Terrorista de Nice estudou local do ataque durante dois dias

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RFI

mediaCaminhão usado no ataque
REUTERS/Eric Gaillard

O autor do atentado de Nice, no sudeste de França, o tunisiano Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, passou pelo local do ataque nos dois dias anteriores ao atentado. Segundo a investigação em curso na França, ele estudava a melhor maneira de realizar o crime.

Várias testemunhas ouvidas pela polícia contaram que Lahouaiej-Bouhlel passou pela avenida beira-mar da cidade dirigindo o mesmo caminhão que usou para atropelar centenas de pessoas na noite de quinta-feira (14). O ataque deixou 84 mortos e mais de 200 feridos.

Entre as centenas de testemunhas, muitas revelaram que Lahouaiej-Bouhlel era um homem religioso e desequilibrado. Anteriormente seu pai havia dito que o filho não tinha nenhuma relação com o islã – não rezava nem frequentava mesquitas. O ministro do interior francês, Bernard Cazeneuve, afirmou no sábado (16) que o tunisiano parecia ter se radicalizado rapidamente.

Os vizinhos de Lahouaiej-Bouhlel, apresentado como "um soldado do Estado Islâmico" no comunicado da organização terrorista reivindicando o atentado, relataram brigas familiares.

Duas novas detenções

Neste domingo (17), as autoridades realizaram duas novas detenções, de um homem e uma mulher, de acordo com uma fonte judicial.

Quatro homens próximos a Mohamed Lahouaiej-Bouhlel continuam sob custódia, enquanto sua ex-mulher foi liberada.

Segundo o testemunho de um dos homens sob custódia, informado por seu advogado Jean-Pascal Padovani, o assassino era alguém "bem integrado em Nice, que conhecia muitas pessoas". Os clientes de uma academia de ginástica frequentada pelo autor do ataque evocaram, por sua vez, um homem "pretensioso" e que costumava "flertar" com as mulheres.

Vítimas em estado crítico

Entre os 84 mortos do atentado estão dez crianças e adolescentes e pelo menos 17 estrangeiros. Dezoito pessoas seguem em estado crítico, incluindo uma criança.

No total, 85 pessoas ainda estão hospitalizadas. A comunidade russa de Nice pagou um preço muito alto, de acordo com os seus representantes, com "pelo menos uma dúzia de pessoas" mortas ou feridas.

Neste domingo, o papa Francisco declarou que está "perto de cada família e de toda a nação francesa de luto". "Em nossos corações está viva a dor pela tragédia que, na noite de quinta-feira, em Nice, destruiu muitas vidas inocentes, incluindo a de muitas crianças", acrescentou Francisco a seus fiéis na Praça São Pedro.

Apelo aos franceses patriotas

Oito meses após decretar o estado de emergência na França e adotar novas leis anti-terrorismo na sequência dos ataques de 13 de novembro em Paris, o governo socialista apelou no sábado (16) a "todos os patriotas franceses" para que apoiem as forças de segurança.

Esse apelo do ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, para que os franceses se alistem como reservistas da polícia e da guarda civil é a única proposta nova lançada pelo governo, encurralado por todos os lados para reagir três dias após o massacre.

O ex-primeiro-ministro Alain Juppé, candidato às primárias da direita para a presidência, criticou mais uma vez o governo, afirmando que "podemos fazer mais e melhor, embora, é claro, o risco zero não exista". Neste sentido, exigiu que as autoridades "passem a uma velocidade superior" contra o terrorismo.

O mesmo o fez o presidente do Senado, Gerard Larcher (direita), que manifestou o seu apoio à extensão do estado de emergência após o atentado de Nice, mas que considerou neste domingo que "os franceses esperam mais do presidente da República e do governo".

Tentação de minar o Estado de Direito

O primeiro-ministro Manuel Valls advertiu no Journal du Dimanche que vê nas propostas "a tentação de minar o Estado de Direito". "Mas pôr em causa o Estado de direito, minar os nossos valores, seria a maior das renúncias", argumentou.

Nesse contexto de tensão, as autoridades procuram a todo custo tranquilizar a opinião pública sobre o engajamento das forças de segurança: "100 mil policiais e soldados estão mobilizados para garantir a segurança" do país, disse Cazeneuve.

O efetivo da operação militar Sentinelle, mantido em 10 mil soldados contra 7 mil inicialmente previstos após o final da Eurocopa-2016, permanecerá nesse nível "até o fim do verão", anunciou o ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian.

O descontentamento dos franceses frente a onda de ataques podia ser lido nas mensagens deixadas na Promenade des Anglais. "Chega de conversa!", "Chega de derramamento de sangue em nossas ruas!", "Parem os massacres!".

O ataque em Nice é o terceiro massacre na França, após os de janeiro de 2015 contra o jornal satírico Charlie Hebdo, policiais e judeus (17 mortos) e de 13 de novembro (130 mortos em Paris e Saint-Denis). Nos últimos 18 meses, vários outros ataques ou tentativas frustradas também chocaram o país, como o assassinato em junho de um casal de policiais.

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Fonte: Rádio França Internacional

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