Saiba como os políticos europeus reagem à saída dos britânicos da UE

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Saiba como os políticos europeus reagem à saída dos britânicos da UE

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RFI

mediaCorretora no centro financeiro de Canary Wharf, em Londres, durante pronunciamento do primeiro-ministro David Cameron.
REUTERS/Russell Boyce

A França lamentou nesta sexta-feira (24) o voto britânico a favor da saída da União Europeia (UE). Em declaração no Twitter, o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault, pediu à Europa que "reaja para recuperar a confiança da população". Ayrault se disse "triste pelo Reino Unido". O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou que deixará o cargo em outubro porque o país precisa de um novo líder para comandar as negociações de saída do bloco.

O Reino Unido aprovou a saída da União Europeia com o voto de 51,9% dos britânicos, segundo resultados definitivos publicados nesta sexta-feira, em meio a incertezas sobre o futuro da Europa. Após a divulgação do resultado, o chanceler britânico, Philip Hammond, garantiu, em um primeiro momento, que o primeiro-ministro, David Cameron, permaneceria na chefia do governo. "Seguirá como primeiro-ministro e aplicará as instruções do povo britânico", declarou Hammond ao canal de televisão Sky News. O próprio Cameron convocou o plebiscito e colocou seu futuro político em jogo.

A União Europeia (UE) está "determinada a manter sua unidade com 27 membros", afirmou o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. "Sou totalmente consciente de quão sério, dramático, é este momento. (…) É um momento histórico, mas certamente não é um momento para reações histéricas", disse Tusk em uma breve declaração em nome dos 27 Estados membros.

O ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, lamentou o resultado no Twitter: "As notícias desta manhã procedentes da Grã-Bretanha são uma verdadeira desilusão. Parece um dia triste para a Europa e a Grã-Bretanha". Ele convocou uma reunião extraordinária dos chanceleres dos países fundadores da UE neste sábado em Berlim.

A chefe de governo da Escócia, Nicola Sturgeon, declarou que "a votação aqui mostra claramente que os escoceses veem seu futuro como parte da UE".

Já o líder do partido republicano Sinn Fein, Declan Kearney, estimou que a província britânica da Irlanda do Norte deve realizar um plebiscito sobre sua união com a Irlanda após a saída do Reino Unido da UE.

"Temos esta situação em que o norte está sendo arrastado para fora (da UE) pelo resultado na Inglaterra (…). O Sinn Fein pressionará por sua demanda de referendo".

A líder da extrema-direita francesa Marine Le Pen defendeu uma consulta popular sobre a saída da União Europeia "na França e nos demais países da UE". "Vitória da liberdade! Como peço há vários anos, é necessário o mesmo referendo na França e nos demais países da UE", escreveu a presidente da Frente Nacional (FN) no Twitter.

Na mesma direção, o líder da extrema-direita holandesa, o deputado Geert Wilders, exigiu uma consulta. "O povo holandês também merece um referendo. Por isto, o Partido da Liberdade exige um plebiscito sobre a saída da Holanda da União Europeia", disse Wilders em um comunicado. "Queremos estar a cargo do nosso próprio país, queremos nosso próprio dinheiro, nossas fronteiras e nossa política de imigração. Se fosse o primeiro-ministro, teríamos um referendo na Holanda sobre a saída da União Europeia. Que o povo holandês decida".

O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, declarou que conversará com a chanceler alemã, Angela Merkel, para evitar "uma reação em cadeia de eurocéticos".

Ducha de água fria começou no interior da Inglaterra

A ducha de água fria na UE começou em Newcastle, primeira cidade a divulgar resultados, onde a permanência venceu por pequena margem, mas muito inferior às previsões favoráveis à permanência, com 50,7% contra 49,3%.

Já em Sunderland, outra cidade do norte da Inglaterra, a saída do grupo europeu ganhou com ampla vantagem, por 61,34%, contra 38,66%.

Escócia e as grandes cidades votaram pela permanência na UE, inclusive superando as previsões, mas regiões inteiras do centro e do sul da Inglaterra, e o País de Gales, apoiaram em massa pela saída do Bloco.

Londres, Glasgow, Aberdeen e Liverpool votaram a favor da UE, mas cidades de tradição operária, como Blackpool, o porto de Dover e localidades históricas como Hastings deram um rotundo 'não' à permanência na UE.

Pânico nos mercados internacionais

As bolsas de valores foram dominadas pelo pânico nesta sexta-feira, diante do resultado favorável à saída do Reino Unido da União Europeia. A Bolsa de Tóquio fechou o pregão em queda de 7,92%.

Na Europa, os pregões de Londres, Paris, Frankfurt abriram com perdas de 8% a 10%. As ações dos principais bancos britânicos iniciaram o dia em queda de quase 30% na Bolsa de Londres. A libra esterlina já perdeu 10% de seu valor em relação do dólar, a maior depreciação dos últimos 30 anos. As casas de apostas britânicas mudaram sua tendência na madrugada de sexta-feira e passaram a antecipar a vitória do Brexit.

O ministro japonês das Finanças, Taro Aso, assegurou à imprensa que está disposto a atuar rápido diante dos movimentos "extremamente bruscos" que estão sacudindo os mercados.

O Banco da Inglaterra divulgou uma nota afirmando que tomará as medidas necessárias para garantir a estabilidade da libra. A instituição está em contato com outros grandes bancos centrais e com o Tesouro britânico para agilizar as medidas de socorro aos mercados.

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Fonte: Rádio França Internacional

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