Pragmatismo dos britânicos tem méritos, aponta especialista

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Pragmatismo dos britânicos tem méritos, aponta especialista

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RFI

mediaCapa do jornal francês Les Echos desta segunda-feira, 20 de junho de 2016.
RFI

A semana é decisiva para os europeus, com a definição em três dias se o Reino Unido fica ou sai da União Europeia. O assunto é manchete em todos os jornais nesta segunda-feira (20).

O jornal econômico Les Echos informa que os grandes bancos centrais já estão preparados para enfrentar as turbulências com uma eventual saída do Reino Unido do bloco. Em caso do "Brexit", os mercados europeus receberão uma injeção de liquidez para evitar que certos países sofram de falta de moeda e isso acentue a volatilidade no câmbio.

Apesar do clima de incerteza, um artigo do professor de Economia Bruno Alomar, do Instituto de Estudos Políticos Sciences Po, levanta questões interessantes. O especialista admira a lição de pragmatismo que os britânicos estão dando ao mundo.

"Com essa votação, os britânicos ousam questionar uma série de coisas, na forma de paradoxos, em torno dos quais será definido o nosso século. O primeiro paradoxo propõe uma reflexão entre o que seria melhor, o estado-nação ou a globalização? O segundo, primazia da política ou da economia? Terceiro: democracia participativa ou representativa?", enumera o professor de Economia.

Na opinião do analista, o referendo no Reino Unido demonstra a falência de políticas equivocadas de concentração de renda. "Os conservadores confiscaram o projeto de união dos povos e de solidariedade com as futuras gerações na Europa", lamenta o especialista.

David Cameron caiu na própria armadilha

Le Figaro lembra que o primeiro-ministro David Cameron está preso a uma armadilha que ele mesmo criou. Cameron convocou a consulta popular do dia 23 de junho com o intuito de atrair para seu partido eleitores ultraconservadores, esvaziando os partidos populistas. Mas o tiro saiu pela culatra.

Em seu editorial, Le Figaro informa que Cameron sofre de insônia há várias semanas, consciente do que representará para a história de seu país uma ruptura com os vizinhos europeus. Os defensores da saída ou "Brexit", como se diz na Europa, manipulam o medo dos britânicos em relação aos estrangeiros e evocam uma perda de identidade, observa o jornal. Os pró-europeus apresentam como contrapeso na balança a racionalidade econômica. Nesse contexto já tenso, o assassinato da deputada trabalhista Jo Cox, na semana passada, introduziu um novo elemento na campanha: a emoção. A três dias do referendo, ninguém sabe qual será o impacto desse crime extremista no resultado da consulta, opina o Figaro.

O diário católico La Croix nota que o resultado mostrará, de qualquer forma, a profunda divisão existente hoje na sociedade britânica, já que metade da população é eurocética e a outra metade acredita nos benefícios da União Europeia.

É possível confiar no espírito democrático dos britânicos, destaca La Croix, mas com uma ressalva. "Uma democracia não se resume apenas à lei da maioria, ela demanda igualmente o respeito da minoria", escreve o diário. Todos, tanto os britânicos quanto os vizinhos europeus, terão de ser criativos para superar as divergências, conclui o diário.

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Fonte: Rádio França Internacional

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