Polícia reprime manifestação LGBT na Turquia

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Polícia reprime manifestação LGBT na Turquia

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RFI

mediaManifestantes fogem dos tiros de bala de borracha da polícia turca, durante ato LGBT em Istambul, neste domingo (19).
REUTERS/Osman Orsal

Cerca de 50 militantes LGBT que participavam neste domingo (19) de um ato em Istambul foram duramente reprimidos pela polícia, que utilizou balas de borracha e gás lacrimogênio para dispersar o movimento. Ao menos dois manifestantes foram detidos.

Centenas de policiais cercaram a Praça Taksim, no centro da capital, para impedir a realização do protesto. Os participantes do ato reclamavam da proibição da Parada do Orgulho Gay, a mais importante do mundo muçulmano, prevista para acontecer no próximo domingo (26). Na última sexta-feira (17), as autoridades turcas anunciaram que o evento não poderá ser realizado.

Segundo o governo, a parada foi proibida para "preservar a segurança e a ordem pública". De acordo com o correspondente da RFI em Istambul, Alexandre Billette, as autoridades turcas evocaram também a possibilidade de uma ameaça terrorista durante a marcha.

Desculpa para abafar o movimento LGBT

Para os organizadores do evento, o argumento é apenas uma desculpa para abafar o movimento LGBT, sobretudo em uma semana em que diversas cidades em todo o mundo homenagearam as vítimas do ataque contra a boate Pulse, em Orlando.

Lideranças da comunidade gay da Turquia afirmaram terem sido alvo de ameaças. Um grupo de civis chegou a se organizar para planejar como reprimir a parada, que classificou de "uma reunião de perversos nus e bêbados". Os opositores ao movimento LGBT manifestaram também seu descontentamento à organização do evento em pleno Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos, e pediram que as autoridades proibissem a manifestação.

Nesta tarde, um pouco antes da intervenção policial, as forças de segurança impediram que vários manifestantes homofóbicos entrassem em confronto com militantes LGBT. "Somos otomanos, não queremos esta gente aqui!", gritou um dos conservadores, diante da imprensa, que cobria o evento.

Muitos militantes LGBT garantem que desobedecerão a proibição do governo e realizarão a parada, no próximo domingo. Os participantes devem enfrentar, além da repressão das forças de ordem, uma horda de ultranacionalistas.

No ano passado, a marcha do Orgulho Gay também terminou em violência em Istambul.

Ramadã tenso

Além das violências registradas contra a comunidade LGBT, outros eventos marcam a tensão do Ramadã na capital turca. Na noite de sexta-feira, muçulmanos radicais entraram em confronto com jovens de um bairro mais liberal de Istambul.

Um grupo se reuniu em uma loja de discos para celebrar o lançamento do novo álbum do Radiohead. Mas a festa terminou mal, com a invasão de cerca de vinte pessoas que agrediram os participantes e esvaziaram o local, ameaçando de queimar os jovens vivos. O motivo: havia bebida alcoólica na celebração.

Uma forte onda de indignação invadiu as redes sociais no sábado e, em resposta, cerca de 500 pessoas voltaram ao bairro para protestar contra a proibição de beber álcool durante o Ramadã. A manifestação terminou em confrontos com policiais, que dispersaram os jovens com gás lacrimogênio e tiros de balas de borracha.

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Fonte: Rádio França Internacional

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