MIANMAR/ELEIçõES: Executivo birmanês felicita partido de Suu Kyi por maioria parlamentar

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Mianmar/Eleições –

Artigo publicado em 11 de Novembro de 2015 –
Atualizado em 11 de Novembro de 2015

Executivo birmanês felicita partido de Suu Kyi por maioria parlamentar

A imagem de Aung San Suu Kyi projetada em uma tela na sede de seu partido, na capital RangunA imagem de Aung San Suu Kyi projetada em uma tela na sede de seu partido, na capital Rangun AFP/AFP

RFI

Ainda que o resultado oficial das eleições em Mianmar não tenha sido divulgado, o chefe do exército birmanês cumprimentou hoje a Liga Nacional pela Democracia, partido da opositora Aung San Suu Kyi, pela conquista da maioria parlamentar. Pouco antes, o ministro da Informação havia anunciado que o governo aceitará o resultado das eleições e transferirá o poder pacificamente, ao contrário do que aconteceu em 1990, quando o governo militar perdeu a maioria, também para a LND, mas simplesmente anulou o pleito.

Do lado da oposição, o discurso também é de reconciliação. Hoje, Aung San Suu Kyi pediu a abertura do diálogo com o presidente Thein Sein e com o Estado maior do exército, herdeiros políticos da junta que a manteve em prisão domiciliar por mais de 15 anos.

"Saudamos a Liga Nacional para a Democracia (LND) pela maioria obtida nas eleições", declarou o general Min Aung Hlaing em um comunicado. "Como governo, nos submetemos à decisão dos eleitores e transferiremos o poder pacificamente", tinha anunciado mais cedo, também nesta quarta-feira, o ministro da Informação, Ye Htu.

"A Liga Nacional para a Democracia (LND) venceu em vários lugares, parabéns por isso", acrescentou o comunicado, que também aventou a possibilidade do diálogo evocado por Suu Kyi. "Os cidadãos expressaram sua vontade nas eleições", escreveu a opositora em carta destinada a Min Aung Hlaing, ao presidente Thein Sein e ao influente presidente do Parlamento, Shwe Mann. Sein, general reformado da Junta auto-dissolvida em 2011, respondeu, oferecendo-lhe uma "reunião bilateral quando terminar o processo eleitoral".

Resultados lentos

Os resultados da votação de domingo têm sido divulgados a conta-gotas, mas a vantagem da LND é evidente. O partido já garantiu 179 cadeiras na câmara baixa do Parlamento contra 17 da USDP, o partido no poder, ligado aos militares que governaram o país por mais de quatro décadas. Na câmara alta, que equivaleria ao Senado, são 77 cadeiras para a oposição contra quatro da situação. Ou seja, uma transição está a caminho.

Aung San Suu Kyi, vencedora do do prêmio Nobel da Paz e principal figura política do país seria a escolha óbvia para a presidência, mas não pode assumir o cargo porque a Constituição proíbe que o chefe de Estado tenha filhos estrangeiros. Essa restrição foi feita sob medida para a opositora cujos filhos nasceram no Reino Unido. Ela foi reeleita deputada pelo estado rural de Kawhmu.

Depois de décadas de poder militar e depois de domínio dos herdeiros da junta, após as reformas lançadas em 2011, a vitória da LND pode lançar uma mudança completa e inédita na vida política birmanesa. Ainda pesam, no entanto, suspeitas sobre a lentidão – possivelmente deliberada – da comissão eleitoral em um país cuja administração continua controlada amplamente por funcionários com um passado militar.

Fonte: Rádio França Internacional

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