Líder do MST busca em Paris apoio contra impeachment de Dilma

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Líder do MST busca em Paris apoio contra impeachment de Dilma

mediaJoão Paulo Rodrigues (centro), diretor nacional do MST
RFI

Um colóquio sobre a conjuntura política brasileira aconteceu nesta sexta-feira (1°) no Senado francês, em Paris. João Paulo Rodrigues, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), foi o convidado especial.

Sarah Bazin, colaboração para a RFI

Voltado para a comunidade política da França e organizado pela senadora Laurence Cohen, do Partido Comunista Francês, o debate tratou da solidariedade entre a França e o Brasil e como o governo deveria se posicionar diante do que chamaram de "golpe de Estado institucional".

Foi na sala Gaston Monnerville, batizada em homenagem ao primeiro senador negro da França, que mais de 60 pessoas assistiram ao colóquio intitulado “Golpe de Estado no Brasil: qual a solidariedade com os povos da América Latina?”.

Espaço para denunciar o golpe

Para a senadora Laurence Cohen, idealizadora do evento, esse foi um espaço criado para denunciar o chamado golpe institucional e criar uma corrente de solidariedade. Estavam presente também os senadores Antoine Karam, do Partido Comunista, Marie-Christine Blandin, do Partido Ecologista, e Silvia Capanema, conselheira do departamento de Seine-Saint- Denis pelo Partido Comunista Francês.

Cohen se diz espantada com o silêncio do governo francês em relação ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, sobre o qual, até hoje, o presidente François Hollande não se manifestou.

“A França parece não ter mais uma voz forte que possa garantir a democracia no mundo. Acredito que tanto o presidente da República como o ministro das Relações Exteriores deveriam ter condenado firmemente esse golpe de estado institucional”, disse.

Conjuntura política inimaginável em 2016

Convidado pelo grupo francês Amigos do MST, que angariou fundos para sua vinda, João Paulo Rodrigues chega a Paris para buscar o apoio da sociedade francesa para barrar o impeachment de Dilma Rousseff no Senado brasileiro.

A médio e longo prazo, o MST busca defender os programas sociais adquiridos durante os governos do PT tentando recriar uma maioria de esquerda no país, defendendo a democracia. Segundo ele, o Brasil vive hoje “uma conjuntura política que a minha geração não imaginava encontrar. Temos um golpe de estado sendo implementado em pleno 2016”.

Para Rodrigues, a situação política na qual o Brasil se encontra é muito difícil de ser revertida a curto prazo e, mesmo se Dilma voltar ao Planalto, a governabilidade com uma minoria como base aliada vai ser muito dura. Ele cita a dificuldade de se conseguir os 26 votos necessários no Senado para reverter o processo de impeachment.

“Mesmo com a comprovação de que a presidente não cometeu nenhum crime de responsabilidade, os senadores estão criando uma situação muito complicada para trocar o voto”, disse, citando nomes de senadores como Romário e Cristóvão Buarque.

Atitudes do governo de Michel Temer não convencem

Para Rodrigues, algumas atitudes do presidente interino Michel Temer, como o aumento do valor repassado pelo programa Bolsa Família, maior do que o previsto por Dilma Rousseff, tem como objetivo ganhar tempo para que não haja um processo de luta muito forte contra seu governo.

“Michel Temer é contra o Bolsa Família e é contra que o Estado invista em programas sociais. No entanto, ele precisa fazer uma política de mediações. Ele vai aumentar o valor do Bolsa Família e possivelmente do salário mínimo nesse primeiro momento, mas não temos dúvidas de que, a longo prazo, ele pretende acabar com esses benefícios”, conclui.

Sobre a extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário e sua junção à Casa Civil, Rodrigues diz que a situação é a prova da falta de comprometimento de Michel Temer com a reforma agrária.

“Essa atitude não é um compromisso com a nossa luta, pelo contrário, é criar um processo mais burocratizado e poder monitorar de perto as políticas que vinham sendo feitas pela reforma agrária”.

Ele ainda diz que acredita que, se o impeachment passar, os movimentos sociais serão criminalizados e vão sofrer graves quedas em direitos de habitação, tanto no campo quanto na cidade.

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Fonte: Rádio França Internacional

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