Le Monde: América Latina continua presa aos populismos de direita e esquerda

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Le Monde: América Latina continua presa aos populismos de direita e esquerda

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RFI

mediaO sucesso de Keiko Fujimori, que quase venceu as eleições no Peru, é um exemplo do peso do populismo de direita na América Latina.
Reuters

O jornal Le Monde que chegou às bancas na tarde desta quarta-feira (29) traz uma análise sobre a situação atual política na América Latina. A tribuna assinada pelo jornalista Paulo Paranaguá afirma que a região continua presa aos populismos de direita e de esquerda.

O artigo volta no tempo para explicar que o populismo é uma tradição na região. Citando as passagens pelo governo de Getúlio Vargas, no Brasil, e dos generais Lázaros Cardenas, no México, e Juan Domingo Perón, na Argentina, o texto afirma que esses três líderes implementaram, cada um à sua maneira, movimentos políticos que influenciaram esses respectivos países durante muito tempo. “Após a crise de 1929, eles conseguiram canalizar a radicalização popular por meio de políticas sociais que melhoraram a vida dos assalariados e dos agricultores, se inspirando no código de trabalho de Benito Mussolini”, relembra o jornalista.

Paranaguá também explica que, mesmo se durante o século 20 a esquerda latino-americana não se mistura com o populismo, o aspecto híbrido dessa prática divide os militantes. “Comunistas, socialistas e membros da extrema-esquerda se constroem contra os populistas e seu controle dos movimentos sindicais. Em 1980, quando Luiz Inácio Lula da Silva funda o Partido dos Trabalhadores, ele tenta “se diferenciar do velho Partido Comunista Brasileiro (PCB) e do Partido Trabalhista criado por Vargas e dirigido por Leonel Brizola”.

Paranaguá dá em seguida mais um salto no tempo até o final da década de 1990, com a chegada de Hugo Chávez ao poder na Venezuela, um episódio que divide a esquerda. “Como aconteceu, trinta anos antes, com o regime do general Juan Velasco Alvarado, no Peru”, compara.

Populistas em ambos os lados

Segundo o jornalista, o populismo continua sendo uma tendência perene da política latino-americana, “incapaz de estruturar partidos coerentes e duráveis”. Mas para ele, "a tentação do populista existe tanto na esquerda, quanto na direita". Para explicar sua tese, ele usa os exemplos de Keiko Fujimori, no Peru, e de Álvaro Uribe, na Colômbia.

No entanto, pondera o artigo, isso não quer dizer que toda a esquerda tenha cedido ao populismo, como mostram as coalizões de governo de centro-esquerda, consolidadas no Chile e no Uruguai. Além disso, analisa o texto, algumas mudanças começam a se sentir, principalmente desde o final de 2015. O jornalista cita o exemplo da Argentina e da Venezuela, com a derrota do peronismo de um lado e o enfraquecimento do chavismo de outro.

Segundo Paranaguá, que é especialista em temas ligados à América Latina, alguns países da região começam procurar um meio termo, pois como ele ressalta, “os populistas desconhecem o Estado de Direito e as regras elementares da democracia”.

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Fonte: Rádio França Internacional

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