Instável, Sudão do Sul completa cinco anos de independência

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Sudão do Sul

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Instável, Sudão do Sul completa cinco anos de independência

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RFI

mediaMembros do exército do Sudão do Sul, que teve que cancelar a celebração dos cinco anos de independência do mais jovem país do mundo.
ALBERT GONZALEZ FARRAN / AFP

Este sábado (9) marca o quinto aniversário da independência do Sudão do Sul. No entanto, a data tem poucas razões para ser comemorada, já que o mais jovem país do mundo sofre com conflitos violentos desde sua criação.

Dezenas de milhares de pessoas morreram desde dezembro de 2013 e o início da guerra civil que devastou o país levou o governo a cancelar, pela primeira vez, as celebrações de independência. A véspera do aniversário foi marcada por mais uma nova onda de violência. Mais de 150 soldados morreram na noite de sexta-feira (8) em confrontos entre o exército e ex-rebeldes em Juba, a capital sul-sudanesa.

O conflito começou com uma luta de poder entre o chefe de Governo, Salva Kiir, e seu vice, Riek Machar. O tiroteio aconteceu durante um encontro dos dois no palácio presidencial, após uma disputa entre os seguranças. A confusão levou a uma troca de tiros, que se intensificou até se tornar um combate com armas pesadas em vários pontos de Juba.

Neste sábado, o clima era tenso nas ruas quase desertas da capital, sob um forte dispositivo de segurança.

Mais de duas décadas de guerra civil

Depois de uma guerra civil que durou de 1983 a 2005, o atual Sudão do Sul conquistou sua independência de Cartum em 9 de julho de 2011, na sequência de um referendo. Mas em dezembro de 2013 o jovem país mergulhou em uma nova guerra civil. O conflito eclodiu no exército nacional, minado por disputas políticas e étnicas e alimentado pela rivalidade entre o presidente e seu vice.

Em abril, Riek Machar retornou a Juba como parte do acordo de paz assinado em agosto de 2015 e formou com Salva Kiir um governo de unidade nacional, mesmo se as hostilidades continuaram, dentro e fora do palácio presidencial.

Petróleo no centro das tensões

A principal fonte de renda do jovem país é o petróleo. No entanto, Juba não tem infraestruturas e não pode exportar o produto sem a ajuda do vizinho do norte. Para que o Sudão do Sul tenha acesso ao Mar Vermelho, condição indispensável para venda do ouro negro, é necessário passar pelo oleodutos sudaneses, mas os dois países se disputaram durante meses sobre as taxas e serem cobradas para o uso desse serviço.

Cartum chegou a cobrar impostos diretamente do petróleo do Sudão do Sul que, em resposta, cessou sua produção em 2012. Porém, dependente dessa commodity, Juba se viu obrigada a retomar a atividade um ano mais tarde. O impasse só foi resolvido em fevereiro de 2016, mas o impacto dessa disputa na economia do país, aliado ao confrontos étnicos e políticos, impediram o Sudão do Sul de viver em paz.

Os combates provocaram uma crise humanitária, forçando dois milhões de pessoas a abandonar suas casas e cerca de cinco milhões, mais de um terço da população, a depender de ajuda alimentar de emergência. "As condições de vida nunca foram tão ruins no Sudão do Sul", resume David Deng, um advogado especialista em Direitos Humanos. "Se não remediarmos rapidamente a situação, temo que seremos confrontados a um conflito tão amargo quanto a guerra de 22 anos da qual o país saiu recentemente", alertou.

Os preços dos bens e serviços explodiram desde 2011, com uma inflação beirando atualmente os 300% e uma moeda que perdeu 90% do seu valor apenas este ano. "O fato de que o governo nem sequer tem dinheiro para comemorar o aniversário (de independência) mostra a magnitude das dificuldades econômicas", observa James Alic Garang, economista do grupo de reflexão Ebony Center com sede em Juba.

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Fonte: Rádio França Internacional

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