FRANçA/ATENTADOS: Apesar do medo, moradores de Paris tentam retomar a rotina

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França/Atentados –

Artigo publicado em 15 de Novembro de 2015 –
Atualizado em 15 de Novembro de 2015

Apesar do medo, moradores de Paris tentam retomar a rotina

Muitos parques ficaram vazios neste domingo em ParisMuitos parques ficaram vazios neste domingo em Paris Foto: Daniella Franco/RFI

Daniella Franco

Paris amanheceu ensolarada neste primeiro domingo (15) após os atentados, mas ainda sob as sirenes de viaturas de polícia. Pelas ruas da capital francesa, persiste o silêncio inabitual e um clima de muita impotência e incompreensão dos moradores. Já os turistas aproveitaram os 15°C atípicos deste outono em Paris para passear e aproveitar o sol na capital francesa. A maioria dos museus, monumentos e espaços culturais manteve suas portas fechadas.

Domingo é um dia tradicional de passeio na capital francesa, quando os parisienses vão para parques, cafés e restaurantes. Nos bairros mais residenciais, muitos moradores preferiram seguir a recomendação do governo de ficar em casa, sob proteção. Muitos estabelecimentos também optaram por não funcionar hoje.

Célebre por suas lojas, mercados, restaurantes e bares, o comércio da rue des Martyrs, no 9° distrito, funcionou parcialmente. Não é o caso da padaria Banette, gerenciada por uma família portuguesa. Batista Cheio relata que o movimento foi muito fraco no sábado (14), com quase nenhum cliente pela manhã.

Mas a família resolveu abrir o estabelecimento neste domingo pós-atentados porque, segundo ele, "a vida continua". "Não podemos dizer que não estamos com medo. Estamos desconfiados, prestamos atenção no movimento na rua, em quem entra e sai da padaria. Mas estamos conscientes de que essa ameaça terrorista é constante. Não foi a primeira vez nem vai ser a última vez que isso acontece. O importante é sermos prudentes", diz.

Domingo quase normal em Montmartre

Em Montmartre, no 18° distrito, o domingo parecia quase normal. Muitos turistas e alguns moradores circulavam nas ruas deste que é um dos bairros mais turísticos da capital francesa.

Na tradicional rua Abbesses, uma senhora que não quis se identificar fazia compras em um mercadinho com a neta de três anos. À nossa reportagem, ela contou que estava preparando seu almoço de domingo para familiares e amigos.

Segundo ela, é preciso retomar o ritmo normal, mesmo que reconheça ainda estar sob o choque dos atentados. "Estamos muito tristes, mas vamos seguir adiante, não temos outra opção. Mas agora, me pergunto, que tipo de futuro terão as próximas gerações?", diz apontando para a menina.

Perto da Praça do Tertre, no coração de Montmartre, dois franceses com roupas esportivas faziam jogging driblando os turistas. "Ontem eu fiquei em casa, mas hoje, com esse lindo dia de sol, decidi sair e me exercitar. Tento nem pensar no que aconteceu", disse um deles, também pedindo anonimato.

Já o outro esportista disse que se recusa a deixar de sair, de encontrar os amigos e de aproveitar o fim de semana. "Ontem mesmo fui jantar em um restaurante e hoje, como todos os domingos, estou correndo. Pretendemos mesmo passar perto na Praça da República, no 11° distrito, para ver como está o clima. Fico feliz de ver que, diferente de ontem, os parisienses decidiram sair de suas casas", completa.

Ópera e Torre Eiffel estavam vazias

Mas nem todos os moradores da capital se deixaram convencer pelo sol que brilhou até o final da tarde. As estações de metrô ficaram praticamente vazias o dia inteiro. Em outros pontos turísticos da capital, geralmente lotados no fim de semana, como a Ópera de Paris e a Torre Eiffel, a quantidade de pessoas era muito menor do que o normal. Pelas ruas, a presença de viaturas de polícia e de militares não deixou a população esquecer o estado de urgência decretado na capital.

Em geral, entre os parisienses, o sentimento dominante neste domingo pós-atentados é de incredulidade e de muita angústia. Eles se dizem assustados, mas são unânimes em garantir que não vão se render à ameaça terrorista. Para os moradores da capital francesa, continuar a vida normalmente é a melhor forma de mostrar que a liberdade é muito maior do que o extremismo religioso e a violência.

Museus fechados e eventos cancelados

A programação cultural também continua interrompida. A maioria dos teatros, cinemas e todos os museus e monumentos mantiveram suas portas fechadas neste domingo. Todos os shows previstos para acontecer neste fim e começo de semana também foram cancelados, como U2, que deveria acontecer ontem, Motorhead, que seria neste domingo, e Foo Fighters e Marylin Manson, que estavam previstos para esta segunda-feira (16).

Um grande festival de rock alternativo promovido pela revista de música Les Inrocks, também foi anulado. Um dos jornalistas do célebre semanário francês, Guillaume B. Decherf, de 43 anos, morreu na sexta-feira (13) no ataque realizado na sala de shows Bataclan, que deixou 89 mortos.

Fonte: Rádio França Internacional

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