EUA: crescem críticas a diretor do FBI por divulgar caso de e-mails de Hillary

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EUA: crescem críticas a diretor do FBI por divulgar caso de e-mails de Hillary

mediaJames Comey, diretor do FBI.
REUTERS/Jonathan Ernst

A sete dias das presidenciais americanas, as pesquisas mostram que a diferença entre Hillary Clinton e Donald Trump diminuiu. O caso dos e-mails descobertos no computador da antiga colaboradora de Hillary pode ter influenciado a mudança. O diretor do FBI vem sendo duramente criticado por ter reaberto o inquérito, a poucos dias da eleição.

Da correspondente da RFI em Washington, Anne-Marie Capomaccio

É como se o respeitadíssimo James Comey, diretor do FBI, tivesse caído do alto do pedestal. A uma semana da votação, esse republicano de 56 anos, com uma reputação de independência a toda prova, voltou a falar no caso dos e-mails de Hillary Clinton, contrariando os conselhos de seu ministro de tutela, indo contra a regra da não-ingerência do FBI na política e, principalmente, sem saber, como ele mesmo confessa, o conteúdo das mensagens descobertas no antigo computador da colaboradora de Hillary Clinton e que poderiam comprometê-la.

Comey havia arquivado em julho passado o caso. Na sexta-feira (28), ele reabriu o inquérito, provocando um verdadeiro "tsunami" na campanha eleitoral americana.

Quem é James Comey?

James Comey foi escolhido pelo presidente Barack Obama em 2013 para dirigir o FBI – a agência dos serviços secretos americanos; um mandato de dez anos, irrevogável. Na época, uma das principais motivações de Obama foi justamente o distanciamento de Comey no tratamento dos fatos. Um exemplo: ele não hesitou em criticar os métodos utilizados pelo então presidente George W.Bush durante a guerra no Iraque.

Acostumado a julgar e acusar, hoje é ele que está na mira de cerca de cem responsáveis da justiça, que se uniram para denunciar "um grave erro que pode influenciar o resultado das eleições da próxima terça-feira (8)". Entre os que reprovam a atitude de Comey está o ex-ministro da Justiça de George W.Bush, Alberto Gonzales: "Nunca se comenta uma investigação porque os comentários podem prejudicar o caso. É uma armadilha em que ele mesmo se prendeu porque agora as pessoas querem informações sobre os e-mails, querem saber o que se passa", denuncia Gonzales.

Caso dos emails impacta no voto democrata

A primeira consequência dessa história é uma perda da popularidade de Hillary na Flórida, um dos estados-chave. Mas se perder na Flórida, ela ainda pode ganhar a presidencial e, para isso, tem que vencer na Carolina do Norte e na Pensilvânia.

Depois de vários dias sem comentar o assunto, a candidata resolveu sair do silêncio. Sem atacar diretamente o diretor do FBI, ela tenta tranquilizar seus partidários e sobretudo os eleitores indecisos, que poderiam mudar de ideia no último momento. "Sei que muitos de vocês estão se perguntando o que é este novo caso dos e-mails e porque o diretor do FBI se infiltrou em uma eleição sem nenhuma prova de culpa, a alguns dias do voto! É uma boa questão", disse Hillary, em um comício em Ohio.

"Esse processo é vazio, eu não estou tentando me desculpar. Foi um erro e me arrependo”, continuou a presidenciável ao comentar o uso de um provedor privado para o envio de e-mails quando era chefe da diplomacia norte-americana, entre 2009 e 2013.

Para Trump, o caso é uma oportunidade de ouro para conseguir tirar eleitores da rival. A ponto dele agradecer o FBI e elogiar James Comey pela decisão de tornar público o caso dos e-mails. "Eu não gostava dele, mas devo reconhecer que depois do que ele fez, subiu na minha estima", declarou Trump.

Casa Branca mantém silêncio sobre o "caso Comey"

A presidência escolheu a neutralidade, não tomando nenhum partido. O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, afirmou nesta semana que o presidente Obama não acredita que o diretor Comey tentou influenciar o resultado da eleição: "O presidente não pensa em uma estratégia para ajudar um candidato ou um partido político (..) eu não vou criticar nem defender o diretor Comey", disse Earnest. Mas no final de sua declaração, ele deu o recado, insistindo que existe uma "antiga tradição" que dita que é preferível evitar tornar públicos os elementos de uma investigação em curso.

Fonte: Rádio França Internacional

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