Espanhóis voltam às urnas após seis meses de impasse político

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Espanha

Eleição

Espanhóis voltam às urnas após seis meses de impasse político

mediaEleitores nas cabines de votação de Madri, na manhã deste domingo.
REUTERS/Andrea Comas

Os espanhóis começaram a votar na manhã deste domingo (26) para tentar tirar o país do impasse em que se encontra já há seis meses. Na votação de dezembro, a fragmentação dos votos não permitiu a nenhum partido ter maioria para indicar um primeiro-ministro. Ainda é incerto que impacto que o Brexit pode ter na votação.

O cenário de dezembro, que marcou o fim do bipartidarismo graças ao surgimento do Podemos e do Ciudadanos, mudou pouco para esta nova eleição. A novidade é a união do partido de extrema-esquerda Podemos aos ecocomunistas da Izquierda Unida. Juntos, agora eles podem desbancar o tradicional Partido Socialista como a segunda força política do país.

Já o Partido Popular do primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy tenta ser novamente o mais votado, como em dezembro, mas nada indica que dessa vez vá conseguir uma ampla maioria.

A decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia teve impacto na reta final da campanha. Os conservadores acusam o Podemos de querer tirar a Espanha da União Europeia. O partido nega, mas diz que a decisão britânica foi uma resposta popular à política de austeridade do bloco, do qual é crítico.

Estão aptos a votar 36 milhões de eleitores, e os primeiros resultados oficiais devem começar a surgir às 17h30 no horário de Brasília.

Mudança de cenário

Depois de três décadas alternando-se no poder, o PP e o Partido Socialista (PSOE) se viram enfraquecidos nas eleições legislativas de dezembro. O surgimento do partido de esquerda Podemos e o do de centro-direita Ciudadanos desenhou um novo cenário político onde os pactos pós-eleitorais são essenciais.

Apesar de ter vencido, o PP perdeu a maioria absoluta e, estigmatizados pela corrupção e cortes no orçamento, não conseguiu nenhum aliado para o governo. O PSOE (segundo) também falhou em sua tentativa de formar uma coalizão com Podemos (terceiro) e Ciudadanos (quarto), com postulados ideológicos muito distantes.

O próximo governo terá uma tarefa complicada pela frente: manter o ritmo atual de crescimento econômico, superior a 3%, e ao mesmo tempo curar as feridas deixadas por seis anos de crise, duros cortes sociais e aumento da desigualdade.

O PSOE, que provavelmente ficará em terceiro lugar na eleição, poderá ter que escolher entre ajudar Podemos a chegar ao governo com uma aliança ou facilitar a continuidade de Rajoy. Por enquanto, descartam ambas as opções, embora isso possa levar a um novo bloqueio do Parlamento.

Durante toda a campanha, o líder conservador se posicionou como garantia de estabilidade e advertiu para experiências de governos "radicais" como o de Podemos, que quer acabar com as políticas de austeridade implementadas desde a crise de 2008 e aumentar os gastos em 15 bilhões de euros anualmente.

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Fonte: Rádio França Internacional

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