Com segurança reforçada, padre decapitado é lembrado em missa em Notre Dame de Paris

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Com segurança reforçada, padre decapitado é lembrado em missa em Notre Dame de Paris

Por

Patricia Moribe

mediaA catedral Notre Dame de Paris foi totalmente cercada pela polícia.
Foto: Patricia Moribe

Com segurança reforçada, a catedral de Notre Dame, no centro de Paris, foi palco nesta quarta-feira (27) de uma homenagem ao padre degolado na véspera por jihadistas no norte da França. Estavam presentes a cúpula católica e política, incluindo o presidente francês, François Hollande.

Muitos fiéis, misturados aos turistas, encheram em silêncio a nave da igreja, após passar por vários controles nas ruas de acesso e na porta do endereço que é um símbolo do catolicismo francês. A aposentada Martine chegou cedo para garantir um disputado lugar: “Venho aqui regularmente, a homenagem me motivou ainda mais. Eles falam que a nossa religião é do demônio, mas são eles que matam.”

Pouco antes do início da cerimônia, às 18h15 (13h15 em Brasília), foram chegando integrantes do governo, como o primeiro-ministro Manuel Valls e o ministro do Interior Bernard Cazeneuve, além de outros ministros e políticos como os ex-presidentes Valéry Giscard d’Estaing e Nicolas Sarkozy. O arcebispo de Paris, cardeal André Vingt-Trois, celebrou a missa em homenagem ao padre Jacques Hamel, assistido pelo arcebispo de Rouen, monsenhor Dominique Lebrun.

Arcebispo critica uso da religião para matar

Hamel, 86 anos, foi decapitado por dois extremistas que invadiram a pequena igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray, no noroeste da França, a 125 km de Paris, em plena missa. Os agressores entraram no local aos gritos de “Allah Akbar!” (Deus é grande), segundo uma testemunha, e fizeram quatro reféns. Um paroquiano foi ferido e continua em estado grave. Uma freira conseguiu fugir e buscou ajuda.

No sermão, Vingt-Trois criticou os que “se vestem de sua religião para mascarar um projeto mortífero, os que querem nos anunciar um Deus da morte, um demônio que se alegra da morte de um homem e que promete o paraíso aos que matam em seu nome”.

Paroquiana expressa raiva contra árabes

Do lado de fora, Marie, uma elegante senhora basca de 90 anos, não se conformava em não ter conseguido entrar. “Vim aqui para me unir com os outros, para enfrentar a tragédia. Foi um ato de loucura, de ódio. Os árabes são um povo rancoroso, não esquecem. Eu perdoo porque sou católica, mas não esquecerei nunca. Um deles já tinha sido preso. E morreu feito um cachorro. Mas eu o mataria devagarinho, em pedaços, depois faria uma linguiça e daria aos cachorros”.

Mas o tom revanchista não era a norma. Maurice, que também estava do lado de fora, veio por acaso. “Somos turistas, estávamos passando e paramos por causa da homenagem. É muito grave o que se passa, uma homenagem é um reconhecimento disso. É preciso parar com o que está acontecendo. Que isso tenha se passado em uma igreja é muito sério. No espaço público, já é algo grave, mas quando se toca em um mito que é a religião neste pais, é muito grave. Qualquer que seja a igreja. Um religioso é um humanista, é sério quando não se respeita nem isso.”, declarou.

Após a missa, Hollande e Vingt-Trois atravessaram a nave juntos e foram aplaudidos pelos fiéis.

Padre assassinado era estimado na cidade

O padre Jacques Hamel era um figura bastante estimada da região. Ele celebrou em 2008 seu jubileu de ouro por 50 anos de sacerdócio e não pensava em se aposentar. Em sua paróquia, participava principalmente do diálogo interreligioso.

Mohamed Karabila, presidente regional do Conselho de Culto Muçulmano e da mesquita de Saint-Étienne-du-Rouvray, disse que o padre Hamel era um "amigo, um homem que dedicou sua vida aos demais". "Fazíamos parte de um comitê interreligioso há 18 anos. Falávamos de religião e de aprender a conviver juntos", acrescentou.

Muitos dos cerca de 30.000 habitantes de Saint-Étienne-du-Rouvray conheciam o padre Hamel, que oficiava os batismos, comunhões, matrimônios e enterros. "Foi ali que fiz meu catecismo e minha preparação para o casamento", conta Arnaud Paris, de 44 anos, um morador local. "Ele também se ocupou da educação religiosa de minhas duas filhas até a comunhão".

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Fonte: Rádio França Internacional

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