Brasileira escapa por segundos de ser atropelada por caminhão

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Atentado em Nice

Terrorismo

Brasileira escapa por segundos de ser atropelada por caminhão

Por

Sâmar Razzak

mediaCamila e o marido, momentos antes do ataque ocorrido na noite de quinta-feira(14), em Nice.
Camila Oliveira/Arquivo pessoal

Diversos brasileiros estavam em Nice na noite de 14 de julho e testemunharam a tragédia que deixou 84 mortos depois que um caminhão atropelou centenas de pessoas que acompanhavam a queima de fogos na beira-mar da cidade do Sul da França.

A dona de casa Camila Oliveira foi com o marido ver a queima de fogos. Ela conta que logo depois do fim do espetáculo, quando estavam indo embora, viram um caminhão vindo em direção às pessoas em velocidade acelerada. “Meu marido puxou meu braço e a gente se jogou nas pedras, na praia. Por segundos o caminhão não passou em cima da gente, eu senti só o vento do veículo, foi horrível”, contou.

Camila relata que ao sair da praia, viu a cena de horror: diversos corpos espalhados, muito sangue e o pânico das pessoas que gritavam e corriam desesperadas. “ Vi o corpo de uma mulher que não tinha mais a cabeça, o caminhão passou por cima. Vi bem perto de mim três corpos de crianças, tinha muito sangue, os corpos espalhados na rua, aquela correria, não sabia para onde correr. Foi um desespero, foi horrível”, lembra.

Testemunho de Camila Oliveira

15/07/2016


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Ela conta ainda que ficou paralisada por um tempo, em choque, até conseguir deixar o local. “Precisei me acalmar para conseguir sair de lá. Fico com coração apertado com todas estas vítimas inocentes mortas ao meu redor. Ficou um trauma”, diz.

A produtora de TV carioca, Carol Figueiredo Pereira, também estava assistindo a festa do 14 de Julho em Nice. Ela conta que estava indo embora, com o marido, quando viu uma grande confusão com pessoas correndo e gritando. “Não ouvi tiros, não vi o caminhão. Só vi muita gente correndo e começamos a correr também”, relata.

O casal foi em direção à praia e conseguiu se abrigar num restaurante. “A gente perguntava o que estava acontecendo, mas ninguém sabia dizer. As informações eram desencontradas. Saímos da praia e entramos numa lanchonete para esperar que as coisas se acalmassem. Tentamos ir embora uma terceira vez e mais uma vez muito pânico, crianças correndo, chorando, carrinhos de bebê abandonados. Muita polícia e ambulâncias. Foi horrível”, diz. Ela conta que só conseguiu entender o que estava acontecendo quando chegou em casa e assistiu pela TV a cobertura do atentado. “Depois que vi tudo aquilo, desabei. Foi um pesadelo”.

Nas redes sociais, brasileiros contam o pânico que viveram

A jornalista Adriana Niemeyer, correspondente da RFI em Lisboa, chegou ao local logo após o ataque. “Eu estava vindo do aeroporto, de carro com um amigo, quando vimos muitas luzes azuis piscando e não estávamos entendendo o que estava acontecendo. Pensei que ainda eram os fogos, que tinham acabado de estourar. Paramos o carro para saber o que estava acontecendo e vimos muitas viaturas de polícia, ambulâncias, corpos sendo transportados e pessoas ainda correndo. Havia muita confusão, ninguém sabia direito o que havia acontecido. O clima era desesperador”.

Nesta sexta-feira (15), Adriana conta que o clima em Nice é de tristeza. “Hoje todo mundo acordou com um gosto muito amargo na boca, uma ressaca, um susto muito grande. Em Nice o dia está lindo, com muito sol, o mar muito azul. Todos tentam voltar à normalidade, as lojas foram abrindo. Mas dá para sentir as pessoas angustiadas, muita tristeza nos olhares, incerteza e insegurança.”

Nas redes sociais, várias pessoas testemunharam que viveram momentos de pânico em Nice. Um grupo no Facebook dedicado a brasileiros que vivem na cidade reúne quase dois mil membros. Um deles, Ramsés Thiago Paegle, contou que conseguiu escapar por pouco do atropelamento com a prima. “Vimos surgir este caminhão que vinha em nossa direção e corremos pra calçada. Ele parou praticamente na nossa frente. Nesse momento, quando eu ouvi os gritos e as pessoas debaixo do caminhão eu realizei que era um atentado e quis correr o mais longe possível do caminhão, com medo de uma explosão. Logo os tiros começaram, saltamos literalmente pra praia pra nos refugiarmos pois havia muita gente e não tinha pra onde correr. Foi desesperador!”, relatou no Facebook.

Cesar Pesqueiro, que também é membro do grupo, contou que estava de férias na cidade e escapou do atentado com a filha de seis anos no colo. A esposa e outros dois filhos, de 4 e 10 anos, ficaram no hotel, próximo ao local do ataque. Na madrugada, Pesqueiro publicou uma nova mensagem na rede informando que conseguiu reunir a família toda e que eles estavam retornando em segurança ao Brasil.

Embaixada do Brasil disponibiliza serviço para atender brasileiros

O cônsul honorário do Brasil na Córsega, Mario Sanches, está em Nice para acompanhar junto às autoridades franceses se existem brasileiros entre as vítimas do atentado. “Até agora não há nenhuma confirmação de que havia brasileiros entre os mortos ou feridos. Temos recebido ligações de familiares que não conseguiram contato com parentes e amigos, mas isso não confirma que haja brasileiros entre as vítimas”, esclarece Sanches.

A Embaixada do Brasil na França disponibilizou um telefone de emergência para atender brasileiros e familiares que estariam desaparecidos após o atentado. “Ainda não temos nenhuma informação de pessoas desaparecidas, mas colocamos esta linha à disposição para atender quem precisar de informações ou ajuda”, afirma Sanches. O telefone é: (33) 0 6 80 12 32 34.

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Fonte: Rádio França Internacional

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