Brasil está pronto para enfrentar ameaça terrorista?

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Brasil está pronto para enfrentar ameaça terrorista?

Por

Silvano Mendes

mediaSoldados do exército brasileiro realizam exercício durante simulação de ataque terrorista numa estação de trem carioca neste sábado, 16 de julho de 2016.
REUTERS/Bruno Kelly

O ataque em Nice, que deixou mais de 80 mortos e cerca de 200 feridos, colocou a França novamente diante da ameaça terrorista. No entanto, o risco paira não apenas no território francês, mas também nos demais países, inclusive no Brasil, com a aproximação dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Na manhã deste sábado (16), o grupo Estado Islâmico reivindicou o ataque de Nice em um comunicado divulgado pela agência Amaq. Mesmo se o texto, que afirmava que o motorista do caminhão que provocou a tragédia seria um soldado do Estado Islâmico, não prova que o episódio foi realmente um atentado terrorista, o grupo extremista conseguiu reacender a teoria de que França continua sendo um alvo privilegiado para os jihadistas.

Para Alfredo Valladão, professor do Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences-Po) e colunista da RFI, várias razões podem explicar o fato de que os franceses tenham sido atacados várias vezes nos últimos anos. Para ele, mesmo se a presença ativa da França na resposta militar ao terrorismo islâmico pode ser uma justificativa, ela não basta. “É também um dos países onde a polêmica sobre a questão do Islã é mais forte, onde há um debate sobre a laicidade, onde as comunidades muçulmanas são mais discriminadas, e também a nação ocidental que mandou mais contingentes de jihadistas lutar na Síria e no Iraque”, lembra o cientista político. Com isso, analisa, “muita gente no mundo muçulmano pode olhar para a França como uma espécie de inimigo mortal de todos os costumes islâmicos. E isso cria um clima no qual alguns desequilibrados ou ideologicamente fanáticos começam a fazer esse tipo de atentado”.

Diante desse contexto, “a França vai ser obrigada a conviver com o terrorismo”, diz o professor, em alusão a uma afirmação feita durante a semana pelo primeiro-ministro francês, Manuel Valls. “Hoje qualquer jovem fanático pode alugar um caminhão e atirar contra uma multidão ou pegar uma faca e matar um soldado ou um policial no meio da rua, e um país não tem muita capacidade de prever esse tipo de ação”, lamenta.

No entanto, os franceses não são os únicos alvos possíveis. O professor lembra que “o terrorismo atualmente é globalizado, como quase tudo no mundo” e o contexto das Olimpíadas do Rio de Janeiro pode acentuar esse risco também no Brasil. “Os Jogos Olímpicos representam um momento importante, pois é um evento mundial, visto por milhões de pessoas pela televisão, tornando-se um local perfeito para qualquer tipo de atentado terrorista”, comenta. “Tudo é possível. O problema é saber se o Brasil está preparado para esse tipo de ataque”, conclui.

Brasília promete reforçar segurança

Um dia após o atentado de Nice, o governo brasileiro se disse disposto a fazer uma grande "revisão final" do plano de segurança para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que acontecem entre 5 e 21 de agosto. "Vamos incrementar algumas medidas, como a intensificação das revistas, eventualmente restrições de trânsito em algumas vias, afastar o acesso de veículos de alguns eventos", disse o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Sergio Etchegoyen, a jornalistas após a reunião na sexta-feira (15) em Brasília.

"É uma situação muito difícil, muito complexa de lidar, pois ninguém poderia imaginar que um caminhão pudesse se transformar em uma arma de destruição em massa", afirmou Etchegoyen. Medidas concretas para reforçar a segurança devem ser anunciadas na semana que vem.

"Jogos Olímpicos são um local perfeito para qualquer tipo de atentado terrorista", Alfredo Valladão

16/07/2016


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Fonte: Rádio França Internacional

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