Onusida destaca esforços para acabar com o HIV/Sida em Angola

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Representante da agência no país defende foco em jovens e níveis baixos de prevalência; autoridades são desafiadas pela crise económica e epidemias de malária e febre-amarela.

A jovem Martha, que nasceu com HIV, descobriu que seu filho Rahim Idriss nasceu livre do vírus. Foto: Unicef/HIVA201500101/Schermbrucker

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Antes da 21ª Conferência Internacional sobre a Sida, que decorre a partir de segunda-feira em Durban, a representante do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Sida deu a conhecer os principais desafios para o país.

Shiaka Tsemo indicou que é preciso mais apoio para mudar a história do fraco acesso de gestantes para fazer testes em centros pré-natais, além de aconselhar e acompanhar melhor aos pacientes que precisam de tratamento.

Transmissão

Falando à Rádio ONU, a responsável explicou que há uma década, 42% das mulheres seropositivas passavam o vírus da sida para os seus bebés. A conversa decorreu durante uma recente cobertura feita a Luanda.

"Em 2015, estávamos a falar de uma taxa de transmissão mãe para filho 21%. Mesmo nos últimos três a quatro anos, a taxa de transmissão vertical de mãe para filho passou da 25% para quase 20%. Ainda é muito elevada, mas é só para dizer que está-se a fazer um esforço e o país está comprometido em melhorar a resposta nacional."

Estima-se que a taxa de prevalência de HIV entre jovens angolanos seja de 2,4%. Mas o problema é gerir a epidemia olhando para o futuro, num momento em que o país recupera-se de surtos da malária e da febre amarela.

Novas Infeções

"Mais de metade da população do país tem menos de 18 anos, é 65% da população com menos de 25 anos. O grande desafio para o país é cuidar da sua juventude e manter esta taxa de prevalência relativamente baixa, além de diminuir as novas infeções pelo HIV."

Além de lidar com doenças endémicas, Angola enfrenta uma crise económica devido à queda dos preços do petróleo, o principal produto de exportação. A busca de parceiros também envolve a área da saúde, onde faltam meios.

Mais Atenção

"Estamos realmente com dificuldades. Temos recursos de parceiros como o Fundo Global e do Pepfar (sigla em inglês do Plano Presidencial de Emergência para Combater, dos Estados Unidos) que estão a ajudar a apoiar. Precisamos de muitos mais parceiros em Angola, tanto a nível do VIH, da educação, saúde e etc. Estamos aqui com uma equipa das Nações Unidas e com a sensação que o país ficou um pouco esquecido, ficou para trás. Falando agora na estratégia não deixar ninguém para trás focalizando mais na estratégia para populações nas localidades num mundo que precisa mais de atenção."

Mesmo com o acesso grátis aos remédios, a agência da ONU diz haver problemas para que os pacientes possam aderir ao tratamento pela "atitude de negação" devido ao estigma relacionado ao HIV.

De acordo com dados oficiais, pelo menos 60 pessoas morrem em cada 100 mil habitantes devido a complicações relacionadas ao vírus.

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Fonte: Rádio ONU

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