OIM alerta sobre aumento de mortes de migrantes africanos

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Foram 471 desaparecimentos ou mortes rehistados no continente em iniciativa Projeto Migrantes da agência, que é parceira das Nações Unidas.

Migrantes africanos na Itália. Foto: OIM

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A Organização Internacional para Migrações, OIM, relatou a "descoberta chocante" dos restos de 34 migrantes próximo à fronteira entre Argélia e Níger.

Segundo a agência, parceira da ONU, isto leva a 471 o número de mortes e desaparecimentos registados no continente africano pelo Projeto Migrantes Desaparecidos da OIM.

Deserto do Saara

Pelo menos 250 migrantes morreram apenas na Líbia e no Sudão, muitos por conta de fome ou desidratação no deserto do Saara, explicou uma investigadora do centro de análise de dados sobre migração global da OIM, em Berlim, na Alemanha.

Julia Black adicionou que também há uma "tendência alarmante de mortes violentas" no Norte da África, com "dezenas de casos de abuso físico ou sexual de migrantes levando diretamente a sua morte".

Ela alertou ainda ser provável que muitos casos mais não sejam registados.

Temperaturas

As 34 vítimas no Níger nesta semana teriam morrido após serem abandonadas por seus contrabandistas.

Estas são as únicas mortes registadas pela OIM no país, por onde a agência calcula que pelo menos 120 mil migrantes passaram desde janeiro.

As temperaturas, ao longo das rotas migratórias através do Saara, frequentemente chegam a mais de 40º Celsius. Segundo a OIM, o incidente indica que as práticas de contrabando podem ser "extremamente mortais" para os migrantes e que esses óbitos podem ser apenas uma fração do número real de fatalidades no Norte de África.

Rota Marítima

O Projeto da OIM calcula que 85 das 342 mortes no Norte de África, este ano, eram migrantes saindo da costa do Marrocos para o arquipélago das Canárias, na Espanha.

Para a investigadora, é provável que muitos desapareçam e não sejam registados nesta rota marítima.

Corno de África

O programa também notificou 80 mortes no Corno de África este ano, 60 delas por afogamento no Estreito do Iémen. Esta é uma rota marítima muitos somalis, eritreus e etíopes utilizam para chegar à Península Arábe.

As 21 mortes restantes foram notificadas em terra, no caminho dos migrantes em direção ao Sudão. Quase metade destas foi violenta, muitas nas mãos de contrabandistas.

A OIM informou que na África Subsaariana, excluindo o Corno, os dados do Projeto Migrantes Desaparecidos são escassos. Mesmo assim, a agência registou 49 mortes na região até o momento em 2016, uma média de mais de dois por semana.

Destes, 20 eram migrantes somalis que foram descobertos na quata-feira após terem se sufocado no compartimento de carga em um caminhão na Zâmbia.

Migrantes Desaparecidos

Em quase 18 meses desde o início do Projeto Migrantes Desaparecidos da OIM em 2015, a iniciativa registou 679 mortes de migrantes no continente africano.

Destas, 407 foram no Norte de África e 176 no Corno de África.

A investigadora Julia Black mencionou ainda "milhares de africanos que morreram" após terem chegado a uma das muitas das "zonas costeiras de lançamento", mas não conseguiram chegar a seus destinos finais.

Fonte: Rádio ONU

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