Jovens africanos: líderes “devem fazer mais” para acabar com conflitos

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Resultado de pesquisa foi divulgado no Dia da Criança Africana; tema este ano é “Conflito e Crise em África: Proteção dos Direitos de Todas as Crianças”; pesquisa apoiada pelo Unicef envolveu 86 mil jovens do continente.

Resultado de pesquisa foi divulgado no Dia da Criança Africana. Foto: Unicef República Centro-Africana

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

Os líderes africanos não estão a fazer o suficiente para impedir conflitos em África, segundo dois terços dos 86 mil jovens que participaram recentemente de consulta por telemóvel.

A pesquisa, que utilizou uma ferramenta de mensagens chamada U-Report, foi realizada entre 18 de maio e 1 de junho no Burquina Fasso, Camarões, Guiné Conacri, Libéria, Mali, Nigéria, República Centro-Africana, Senegal e Zimbabué.

União Africana

A maioria dos participantes tem entre 15 e 30 anos. Eles foram convidados a dar o seu parecer sobre conflitos e crises em África através de perguntas de múltipla escolha em seus telemóveis.

Os resultados da pesquisa serão partilhados com os líderes africanos durante o Dia da Criança Africana, celebrado esta quinta-feira, 16 de junho, pela União Africana.

Para o presidente da Comissão da União Africana, Nkosazana Dlamini Zuma, é "crucial" e até "urgente" que os líderes escutem as vozes da juventude. Ele lembra que "se deve silenciar as armas até 2020, tal como estabelecido na Agenda 2063".

Principais Resultados

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, divulgou as conclusões da pesquisa. Segundo a agência, cerca de 70% dos participantes acreditam que os líderes africanos não estão a fazer o suficiente para impedir conflitos e crises no continente.

Quando perguntados por que África é mais propensa a conflitos do que outras regiões, 56% dos participantes acreditam que “políticos lutando pelo poder” é a razão principal; 19% disseram "desigualdade”, 17% “pobreza” e 4% disseram "acesso à comida e água”.
Os jovens também responderam sobre o que os líderes podem fazer para impedir conflitos.

Quase um quarto dos consultados, 24%, disseram que "uma economia forte" ajudaria. Para 20% , países africanos precisam ser mais independentes na política externa, enquanto 19% acreditam no investimento em boa educação.

Unicef

O diretor regional do Unicef para África Ocidental e Central, Manuel Fontaine, alertou que as "vidas de milhões de crianças e suas famílias estão sendo interrompidas, reviradas ou destruídas por conflitos todos os anos em África".

Para Fontaine,"esta consulta reafirma o direito de cada criança a ser ouvida e dá à juventude africana uma oportunidade de expressar suas esperanças para o futuro do continente".

O Unicef alertou que mais de 1,2 milhões de pessoas estão a enfrentar a insegurança na República Centro-Africana. Aproximadamente 1,3 milhão de crianças foram deslocadas pela violência ligada à insurgência do Boko Haram em Camarões, Chade, Níger e Nigéria.

No Sudão do Sul, dois anos após o início do conflito, cerca de 2,4 milhões de pessoas fugiram de suas casas, incluindo 721 mil a viver como refugiados.

*Apresentação: Michelle Alves de Lima.

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Fonte: Rádio ONU

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