Comida é entregue em Daraya, na Síria, pela primeira vez desde 2012

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Milhares de civis sofrem com o cerco na cidade; alimentos são suficientes para 2,4 mil pessoas durante um mês; relator da ONU afirma que ataques contra hospitais no país podem ser crimes de guerra.

Em 9 de junho, o PMA e parceiros entregaram comida para 2,4 mil mulheres, crianças e homens na cidade de Daraya. Foto: PMA/Hussam AlSaleh

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, anunciou nesta sexta-feira a entrega de comida na cidade de Daraya, que está cercada. Foi a primeira vez, desde 2012, que os comboios da ONU e do Crescente Vermelho Sírio conseguiram chegar ao local.

O PMA distribuiu comida suficiente para alimentar 2,4 mil pessoas por um mês, além de farinha de trigo para toda a população de 4 mil habitantes. Os nove caminhões também levavam medicamentos para Daraya.

Cerco

Foram entregues arroz, lentilha, grão de bico, feijão, bulgur, óleo, sal e açúcar. Mais comboios estão planejados para pelo menos 17 das 19 áreas sitiadas na Síria, após a aprovação do governo autorizando a entrada das equipes humanitárias.

O PMA fez lançamentos aéreos em Deir Ezzor, cidade que também está sitiada, com comida para 100 mil pessoas que sofrem com o cerco. Nos primeiros dias de junho, a agência forneceu assistência a 1,4 milhão de civis dentro da Síria. Mas o país tem no total 4,6 milhões de pessoas em áreas sitiadas.

Ataques a Hospitais

Também nesta sexta-feira, o relator especial da ONU para o direito à saúde condenou a continuação de ataques contra hospitais e centros de saúde da Síria. Segundo Dainius Puras, as ações "podem ser crimes de guerra e até crimes contra a humanidade, e os responsáveis precisam ser julgados".

Puras explica que unidades médicas estão sendo danificadas e destruídas em larga escala na Síria, revelando "uma marca de um conflito horrível". Com isso, a população fica sem acesso a cuidados de saúde, o que é uma "clara violação dos direitos humanos".

Mortes

O relator destaca que desde o começo de maio, o Escritório da ONU para os Direitos Humanos documentou incidentes envolvendo oito unidades de saúde, matando e ferindo dezenas de civis.

Em 17 de maio, por exemplo, ataques aéreos destruíram totalmente um hospital na área rural de Damasco, que era o maior da região e atendia 4,2 mil pacientes, além das 60 cesáreas feitas por mês.

Nesta semana, em 8 de junho, vários ataques contra postos de saúde foram realizados em locais controlados pela oposição em Alepo, matando 15 civis.

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Fonte: Rádio ONU

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