Esquadrão Suicida apelou. E perdeu.

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Arte: Carlos Eduardo de Andrade

Retorno da rua e abro uma nova aba do meu navegador no notebook que já estava ligado. Digito um “y” na barra de endereços que logo sugere o complemento que desejo (e que não era “ouporn.com”). A busca que empreendo é a da origem de uma frustração, a tentativa de retornar ao passado quando uma promessa me foi feita. Não é nenhum segredo, pois logo a encontro com milhões de visualizações. Milhões que também foram iludidos. Dois minutos e trinta segundos, mas só os primeiros deles já são suficientes para me dar a resposta. E ela é uma pergunta: Is this the real life?, cantada à capela. Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor e John Deacon. São esses os responsáveis por Esquadrão Suicida ser um filme tão merda.

Contrariando o ditado popular na web-nerd-brazuca, o Change do MDM acertou. Usar Queen num trailer é apelar. E todo mundo sabe: apelou, perdeu.

Como não se empolgar com esse casamento de som e visão? Personagens carismáticos, ação e humor. Diversão, diversão e diversão. worst.heroes.ever. Mas, se antes esse trailer merecia uma prêmio, hoje ele merece um processo. (É só força de expressão. Não seja este cara.)

Um trailer é um comercial de cinema. Ele vende expectativa em uma estética MTV. Ele está lá pra você ficar empolgadaço e comprar um ingresso caro. Parte da ironia é que Esquadrão Suicida falha justamente por tentar ser tão cool quanto a sua propaganda. “Pera, mas aí você está se contradizendo”. Calma, porra. Não seja tão ansioso em tirar conclusões, pequeno mestre pokémon.

O hype forçou que um filme convencional de uma equipe de anti-heróis tentasse ser duas horas de trailers descolados com músicas legais. Só que isso tudo depois de pronto. Não houve nem a preocupação que a música usada fizesse sentido para o contexto, como quando a gente fazia um curta metragem ou podcast na faculdade e a cada minuto trocava o fundo para uma MÚSICA-FODA como se fosse compensar a falta de conteúdo e qualidade. E sério, Sympathy for the devil até novela da Globo já usou. No fim das contas, as duas coisas estão lá, misturadas sem qualquer sutileza e chance de sucesso, mesmo que uma delas prevalecesse.

De resto, como qualquer blog bazingueiro que fez a Escola Ovolete de Crítica Cinematográfica já abordou em detalhes, uma bagunça. Viola Davis salva a sua Amanda Waller e a estética é bacana (mas nem sempre). O roteiro é capenga, os diálogos ora são expositivos, ora sentimentaloides, a edição rápida tira a força das cenas ao invés de implementar dinâmica, parte dos personagens simplesmente some ou nada acrescenta. Se a Arlequina de Margot Robbie só precisava ser a maluca sexy a todo momento, parabéns (e mesmo assim, a direção/roteiro de David Ayer tenta garantir que você saque isso a cada cinco minutos com alguém falando “nossa, ela é louca mesmo”).

E, bem, Jared Leto consegue fazer o famigerado overacting interpretando o Coringa. O coringa, o palhaço, o bobo, o joker. Pense nisso.

Enfim, talvez os adolescentes vestidos de Coringa & Arlequina na fila do cinema pela terceira vez estejam certos e eu esteja… Mas é claro que não, adolescentes não sabem de nada. E a DC fracassou ao tentar no meio do caminho fazer um filme de gibi com muita zuera e música pra playlist de Spotify no mesmo nível que certos filmes já conseguiram (Não falei quais filme).

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